13 de abril de 2024   
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Nelas se aloja a direcção, com todos os seus serviços administrativos e de contabilidade, e se armazenam os stocks de mantimentos (vinho, farinha, leguminosas, bolacha, bacalhau, toucinho, azeite, sal, etc.), de artefactos de toda a espécie para os diversos tipos de navios, de fardamento e equipamento para o pessoal da armada, etc. para que tudo possa adquirido nas melhores condições de economia e qualidade e prontamente fornecido aos navios, cujo aprontamento para missão no mar não pode estar na dependência dos mercados, torna-se indispensável ter sempre constituídas reservas de diversos artigos na quantidade indispensável, e isso explica o volume das instalações, calculado, aliás, com espírito de economia, à vista das pontas máximas dos consumos mensais.
Fora do programa inicial apresentado à comissão, outras obras lhe foram atribuídas ainda, que podem considerar-se incorporadas na Estação Naval. São elas o laboratório de explosivos, agrupamento de edifícios onde se acompanha, dia a dia, a evolução do estado dos diversos explosivos existentes a bordo, para segurança das unidades, construído na mata do Alfeite, afastado do bulício dos navios e dos serviços; uma piscina para uso dos cadetes da Escola Naval e dos oficiais da armada, cujo tanque está também já construído e em utilização; oficinas, cuja construção deve ser iniciada em breve, para o serviço de electricidade e comunicações, que tem a seu cargo, além de outras tarefas, a afinação e reparação do material eléctrico e de T. S. F. e da moderna aparelhagem radar e asdic dos navios, e um hangar para embarcações da Escola Naval e dos oficiais e dos cadetes da armada, a iniciar também brevemente.
Para abastecimento de todas as instalações da Escola Naval e dos navios fez-se uma captação de águas de excelente qualidade, com um caudal de 1.500 metros cúbicos diários.
Pode computar-se em 40.000 contos o custo de todos os edifícios já construídos orçando por 20.000 contos as obras marítimas, ou seja um total de 60.000 contos, quantia certamente elevada, mas inferior, no entanto, ao custo de um moderno contratorpedeiro.
A construção da Escola Naval do Alfeite, além das vantagens que trouxe à marinha de guerra, teve ainda o de permitir o aterro da doca do antigo Arsenal, designada por «Caldeirinha», e a demolição de certas edificações na zona onde funcionava o mesmo estabelecimento fabril, o que veio tornar possível a construção, actualmente em curso, de um arruamento provisório entre o Cais do Sodré e a Praça do Comércio, para a resolução do problema de descongestionamento do tráfico na Rua do Arsenal, que há anos vinha preocupando, muito justamente, a Câmara Municipal de Lisboa. Também o despejo de certas dependências ocupadas por alguns serviços que estão sendo transferidos já para o Alfeite permitirá o alargamento das instalações da estação telégrafo-postal da Praça do Comércio, reclamado pelo incremento do serviço postal.
Por último, para terminar esta referência à Estação Naval, deve ainda dizer-se que, embora a guerra tivesse interrompido o começo da execução que o programa naval teve, a marinha de guerra, depois do início das obras, foi enriquecida com cerca de quinze novas unidades, sendo provável que adquira ainda outras mais muito em breve. Isto significa que a realização da 2.ª fase se apresenta já como uma necessidade, estando a estudar-se, por tal razão, o respectivo anteprojecto.

(Continua)

(Parte LXXVI de …)


15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 (076)

(Fonte: 15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 – BASE NAVAL DE LISBOA – Joaquim de Sousa Uva – Capitão de Fragata – Presidente da Comissão de Obras da Base Naval de Lisboa

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