29 de fevereiro de 2024   
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Se a isto acrescentarmos que os contagiosos podem ser observados pelos alunos e que os professores podem ensinar sem estabelecer contacto com os estudantes, que a lavandaria recebe a roupa dos infectados e a cozinha a louça suja sem daí resultar qualquer perigo – graças a um sistema de câmaras de isolamento para cada uma das seções onde estão os contagiosos –, teremos indicado em resumo a complexidade dos centros de ensino médio de Lisboa e do Porto, que a alta mentalidade de Duarte Pacheco tão facilmente apreendeu.
Os planos e a maquette – elaborada sob a direcção de Distel – mostram, os primeiros em pormenor e a segunda em conjunto, a grandeza e a excelência dos Hospitais mandados construir pelo Governo para transformar o ensino médio.
Todos estes problemas foram resolvidos, tanto quanto possível, respeitando a economia funcional e as circulações dos vários serviços. Assim, a cozinha, os depósitos, a lavandaria, as máquinas e os serviços de economato ficaram isolados numa instalação com entrada especial abrindo um pátio e só comunicando com os serviços pelas galerias de transporte de materiais limpos e sujos, por onde se fornece tudo quanto às clínicas é necessário, sem nelas ter acesso o pessoal administrativo.
Procurámos assim dar uma ideia sucinta do Hospital Escolar tal como o concebemos sob o ponto de vista funcional e como os técnicos – arquitecto Distel e engenheiro Jácome de Castro – resolveram por uma solução equilibrada e praticamente perfeita.
Não é esta, seguramente, a única solução de um problema variável de país para país, consoante as suas leis, a sua estrutura e educação sociais, podendo mesmo, em circunstâncias iguais, ser considerada de várias formas. Em todo o caso, a solução apesentada é económica sob o ponto de vista construtivo e funcional, e podemos considerá-la digna de concepção formulada em 1935 por Salazar, visando o bem do ensino, da assistência médica e da assistência social. Não esqueçamos como ele viu bem as necessidades das duas escolas irmãs e como Duarte Pacheco interpretou a orgânica de um hospital moderno, tão diferente dos asilos-hospitais que possuíamos.
Assim, Portugal procura acompanhar, nestes problemas de utilidade geral, o intenso progresso desenvolvido em todo o Mundo.
Uma das mais belas realizações deste género por nós visita é, sem possível contestação, a de Bruxelas. Aos dois institutos de investigação e de ensino construídos em Rockefeller Foundation juntou-se em 1935 o novo Hospital de S. Pedro, justificando a afirmação feita em 1921 – catorze anos antes – por R. Pearce e W. Rose quando diziam: «Bruxelas tem assim um centro para o qual todas as nações da Europa devem voltar os olhos ao estudarem o progresso médico».
Aproveitámos muito desta verdade, porque a realização de Bruxelas foi um exemplo e será sempre um dos mais úteis argumentos para os não profissionais. Em Portugal, os centros de Lisboa e Porto são quase integrais, e os ensinos da higiene, da medicina legal, da odontologia e outros ficam como satélites dos grandes centros. Em volta do hospital-Faculdade há terreno para a construção de um internato-escola de enfermeiras, como a Escola Técnica de Enfermeiras e tantas outras existentes no estrangeiro.
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O centro procurará fazer profilaxia, prevenir a doença, diagnosticar precocemente, restituir o hospital à sua verdadeira finalidade, não admitindo incuráveis ou crónicos, cuja admissão em hospitais como aqueles, concebidos para a sua integral finalidade, representa um erro demasiadamente oneroso.
Um hospital escolar deve ser o foco central de uma assistência social em torno da qual se organizem asilos-hospitais para doentes de menor dinamismo terapêutico e de mais longa hospitalização, transição entre a clínica de estudo e asilos para doentes crónicos e convalescentes, sanatórios, dispensários e postos de socorros.
Todas estas instituições têm de colaborar no respeito pela saúde e pelo bem-estar do indivíduo. Obter dos médicos um estado de espírito qua os conduza a fazer medicina preventiva é o ideal estabelecido nesta obra do Governo.

(Continua)

(Parte XLVIII de …)



15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 (048)

(Fonte: 15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 – Novos Edifícios Escolares. Hospitais – Instituto Português de Oncologia. Francisco Gentil – Presidente das Comissões Técnicas dos Hospitais Escolares e do Instituto Português de Oncologia)

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