18 de junho de 2024   
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É com a reorganização dos serviços da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, em 1929, que a obra de reintegração dos monumentos passa para o Ministério do Comércio e Comunicações, depois Ministério das Obras Públicas e Comunicações e hoje Ministério das Obras Públicas.
Não será difícil demonstrar que a concentração de todas as obras de determinado ramo de construção civil num único organismo do Estado, sem a dispersão dos técnicos especializados, que infelizmente não abundam, é de uma grande eficiência, podendo afirmar-se que só com esta concentração seria possível a realização dos trabalhos, na parte respeitante a monumentos nacionais.
Mas – diga-se a verdade – nunca quaisquer desses trabalhos foram executados sem que tivessem sido precedidos de um meticuloso estudo, baseado nos ensinamentos colhidos pela experiência dos seus técnicos e nas opiniões daqueles cuja autoridade se impunha.
Obra difícil e arrojada, sem dúvida; mas teria sido um crime de lesa-arte não aproveitar o momento de renovação nacional para acudir de pronto ao nosso património nacional, a fim de se evitar o seu completo desaparecimento.
De norte a sul do País está bem patente e documentada a obra realizada.
Monumentos religiosos, militares ou civis, todo seles foram objecto de cuidadosos trabalhos para a sua reintegração.
É já longa a série de monumentos restaurados, de que se pode ter conhecimento pela publicação de 51 números do Boletim da Direcção Geral, onde se mostra também a natureza dos trabalhos de reintegração feitos em castelos e igrejas.
E é interessante destacar que com os trabalhos de restauro se deparou, muitas vezes, com pinturas aplicadas sobre as paredes, achando-se umas patentes, outras escondidas sob o reboco e quase sempre em iminente perigo de desagregação ou de decomposição.
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Para ocorrer à salvação de tanta pintura mural foi preciso chamar técnicos especializados; e, sabendo-se que a italianos havia sido entregue o trabalho de reparação e transformação de notáveis frescos catalães, foi chamado a Portugal um especialista romano, que se desempenhou satisfatoriamente do serviço que lhe foi incumbido. Entretanto, encarregou-se um artista português de estudar os processos empregados na consolidação e extracção das pinturas murais e conseguiu-se, em breve tempo, substituir, com vantagem de material e de preço, a colaboração estrangeira.
Quanto ao aproveitamento e à conservação das pinturas murais que revestiam algumas paredes de monumentos em restauração, houve que, segundo os casos e as exigências de restauro, limpá-las, fixá-las ou destacá-las. Se nuns era conveniente manter e pôr em evidência certas decorações parietais, noutros a única solução para as salvar estava na transposição, depositando-as em museus, para sua guarda e segurança.
E certo que, à primeira vista, pareceu profanação a retirada da pintura dos lugares onde estava há séculos; mas, compreendendo-se que era a única forma de proteger a riqueza decorativa que se encontra nas paredes de muitas igrejas, as objecções levantadas transformaram-se em assentimento geral.
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E nem ao de leve pretendi descrever a obra realizada, porque não seria possível, ainda que a resumisse aos trabalhos de maior valor artístico, executados dentro dos princípios orientadores de toda a obra restauradora – tão vasta e delicada que não nos podem causar admiração os clamores dos primeiros tempos pelo que se estava fazendo, ao contrário do que aconteceria desde 1721 até há poucos anos, em que se protestava por nada se fazer

Henrique Gomes da Silva
Director Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais

(Parte XXVIII de …)


15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 (028)

(Fonte: 15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 – Edifícios e Monumentos Nacionais – Henrique Gomes da Silva – Director Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)

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