13 de abril de 2024   
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URBANIZAÇÃO

Lisboa nos últimos anos

Pode dizer-se que a actividade construtiva aplicada à renovação urbana do País e encetada há poucos anos tem a sua mais justa expressão, como é lógico, na sua capital, foco das aspirações nacionais, sede dos departamentos da governação pública, objectivo, portanto, mais que sugestivo para as realizações materiais de maior alcance, que exigem, naturalmente, importantes meios financeiros e técnicos experientes. Por outro lado, a capital oferece, como importante centro urbano que é, o melhor repositório das necessidade gerais e pode, assim, constituir centro de irradiação das actividades realizadoras, que virão a repercutir-se em outros centros urbanos com o saber colhido da experiência.
Depois de integrada a administração pública nos princípios salutares que a dignificaram, e à parte as primeiras obras de estradas, de portos, de irrigação, de enriquecimento florestal, aqui se começaram a colher os primeiros resultados da disciplina orçamental e da regular utilização dos meios na construção urbana, e, por consequência, aqui começou a aprimorar-se a técnica nessa espécie de trabalhos e a tornar possível as realizações mais amplas. Parece não haver dúvidas de que a administração municipal de Lisboa, ao longo destes últimos anos, constituiu exemplo flagrante de trabalho e de boa gerência, que contribuirá para nos redimir da culpa de, durante tanto tempo, deixarmos empecer na desordem dos serviços ou inércia administrativa os meios indispensáveis à realização das mais elementares necessidades citadinas. Apenas a actividade particular, de onde a onde, ia suprindo, com as construções de seu interesse privado, as mais instantes necessidades gerais, quantas vezes, aliás, sem a ordem e o método convenientes – do que estamos, em muitos casos flagrantes, a sofrer ainda hoje dolorosas consequências.
De 1928 para cá as coisas modificaram-se, e, por isso, Lisboa oferece hoje panorama novo – seja qual for o ponto de vista que interesse considerar na sua administração –, a quem quer que a interrogue com objectivo de se documentar no estudo da evolução técnica dos serviços municipais e no das actividades particulares directamente relacionados com o alargamento e embelezamento da cidade.
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A Exposição de 1948 aí está a atestar o esforço desenvolvido em obras e construções que a Administração e seus serviços se não limitaram a deixar no papel dos projectos nunca executados, mas que, ao contrário, se erguem, de facto, nas ruas da cidade, para servir a população e constituir documento para a história lisbonense. Essas obras, produto, sobretudo, de uma ordem estabelecida que dominou a incapacidade e o derrotismo consequente, são já hoje promessas bastante para mais ampla satisfação das necessidade correntes que ainda nos mantêm afastados das condições de vida desejáveis e de que beneficiam outras mais progressivas cidades europeias.
(Continua)

(Parte XXI de …)


15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 (021)

(Fonte: 15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 – Urbanização – Lisboa nos últimos anos – Álvaro Salvação Barreto – Presidente da Câmara Municipal de Lisboa)

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