9 de fevereiro de 2023   
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Constituído em 1852 o Ministério das obras Públicas, Comércio e Indústria, o seu primeiro titular, o tenente de engenharia António Maria Fontes Pereira de Melo, considerou que, embora aos novos, como ele, devesse caber, como sempre, o encargo da parte mais activa na elaboração e na execução dos projectos que desejava pôr em prática, não seria de conveniência, para a sua efectivação, deixar de escutar o juízo daqueles a quem a comprovada dedicação e o saber de experiência feito davam, no interesse público, direito a ser ouvidos.
Assim nasceu então o Conselho Geral de Obras Públicas e Minas, organismo que, mantendo as funções que desde o início, através de várias denominações, lhe têm competido, é actualmente representado pelo Conselho Superior de Obras Públicas.
A sua interferência, pois, na efectivação das mais importantes obras e a sua persistência ao longo de uma existência quase centenária, não obstante as remodelações diversas que o Ministério tem experimentado e as situações políticas que se atravessaram, se permitem, com fundamento, supor-lhe o reconhecimento de um constante apreço, conferem também responsabilidade no mais elevado grau aos juízos que formula.
Não podendo necessariamente o Conselho deixar de verificar com desvanecimento o primeiro facto, sente-se, no entanto, cônscio de que, correspondendo a essa confiança na sua intervenção, tem sempre justificado o seu empenho em que o País consiga a melhor efectivação nos assuntos cujo estudo lhe tem sido cometido.
Assim, pois, o Conselho, não figurando ostensivamente nas secções da Exposição, nem por isso deixa de estar implicitamente presente nas materializações importantes que o público encontra dispersas pelas suas salas.

A terminar as palavras que só à situação que ocupo na engenharia oficial devo a honra de subscrever no «Livro de Ouro» da Exposição, eu desejo expressar uma funda convicção e um veemente desejo: a convicção e o desejo de que a massa grande do público – aquela massa de nomes que não figuram nas gazetas – há-de, ao transpor os umbrais do último pavilhão, sentir quanto o País fica devendo, em realizações, àquele que, com a sua privilegiada e clara inteligência e com o seu incansável espírito empreendedor, gizou e estimulou a obra – sua única preocupação – de transformar as condições de vida do País; àqueles que tão dedicadamente no mesmo empenho o tinham precedido; aos que a têm continuada e, sob vários aspectos novos, a têm acrescido; e àqueles que, pelo rumo que traçou a sua acção em todos os campos e pela tenacidade com que enfrentou todas as dificuldades, pôde criar o Portugal maior e facultar as possibilidades materiais para a execução de tudo quanto aos nossos olhos se patenteia.
Finalmente, testemunhando a Exposição, pelos seus variados aspectos, os altos propósitos dos dirigentes; pela concepção dos trabalhos, a elevada competência dos nossos técnicos; e, pela magnífica execução que àqueles foi dada, a perícia dos nossos operários; isto é: afirmando a Exposição de Obras Públicas, como, sob os aspectos de vista económico, social e construtivo, se acompanham em Portugal as manifestações do progresso, eu quero crer que ninguém, ao abandonar o seu recinto, deixará de compreender e de sentir como temos mais um forte motivo para justificar e estimular em nós o orgulho legítimo de sermos portugueses.
(Fim)

Raul da Costa Couvreur
Presidente do Conselho Superior das Obras Públicas

(Parte XIV de …)


15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 (014)

(Fonte: 15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 – Conselho Superior de Obras Públicas – Raul da Costa Couvreur – Presidente do Conselho Superior de Obras Públicas)

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