6 de dezembro de 2022   
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A Exposição de Obras Públicas

A Exposição de Obras Públicas, por si só, constituiria já um acontecimento de relevo na vida nacional, tão pouco afeita ainda a manifestações desta natureza. Realizada, porém – como foi pensamento expresso do Governo –, a par dos congressos nacionais de engenharia e de arquitectura, o seu objectivo ampliou-se, as suas características definiram-se melhor, a sua projecção no futuro mais vincada se tornou.
É, porém, condão inevitável de todas as exposições a duração efémera dos elementos que lhe deram vida, uma vez desaparecidas as últimas sombras dos seus frequentadores, mal extintos os últimos focos de luz que as animaram.
De tudo quanto, à custa de canseiras e de esforços despendidos porfiadamente durante meses ou anos, se reuniram num local para, em período sempre forçosamente curto, servir de regalo e ensinamento ao grande público restam apenas, a perpectuar as exposições, as reminiscências agradáveis dos que a visitaram – e que em breve se esvaem também – e as diferentes modalidades de registo gráfico do acontecimento.
Não poderia a Exposição de Obras Públicas ser excepção a esta regra; e daí a ideia de reunir numa só publicação tudo quanto, imediata e directamente, se relacione com ela e com os congressos.

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No «Livro de Ouro» – à parte essas linhas, escritas por quem só a simples inerência de cargo deve a honra de as ver aqui inseridas – reuniu-se a colaboração das entidades que estavam à frente dos serviços do antigo Ministério da Obras Públicas e Comunicações e das que, embora presidindo a serviços ou a organismos estranhos ao referido departamento, contribuíram de modo eficaz para a obra que através dele se realizou ou efectuaram paralelamente uma obra afim, beneficiando do ambiente criado e do espírito que informou a actividade do Ministério nos quinze anos da sai existência. Diz respeito este último caso à Câmara Municipal de Lisboa.
Quanto aos dois restantes volumes, os seus títulos esclarecem a sua finalidade e explicam o motivo por que terá de aguardar-se, para a sua publicação, o termo das manifestações a cujo registo se destinam.

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O esclarecimento e a discussão dos problemas de ordem técnica e artística postos aos engenheiros e aos arquitectos no decorrer do estudo a que a vasta obra efectuada os obrigou; o conhecimento das dificuldades e dos percalços vencidos durante a sua execução, contributo sempre útil e necessário para o exame de dificuldades idênticas que posteriormente possam surgir; a adaptação ao caso português dos ensinamentos colhidos no estrangeiro e coados já pelo filtro duma experiência conseguida em apreciável número de anos de múltiplas e variadas actividades, e, como estes, tantos e tantos outros problemas concernentes à vida profissional dos engenheiros e dos arquitectos portugueses deveriam confinar-se especialmente ao âmbito dos congressos que essas duas classes vão agora realizar.
Uma vez estabelecido este critério, a ele passou a subordinar-se tanto a ideia geral que imperou no arranjo da Exposição, como a discriminação e o preparo dos seus pormenores, a escolha das obras mais representativas de cada espécie de actividades, o modo de as apresentar para que o público mais facilmente as compreenda, etc. E é assim que aos desenhos geométricos, sempre frios de significado; aos pormenores de natureza técnica, cujo interesse fica restrito aos especializados, não obstante representarem, muitas vezes, porfiado e exaustivo estudo; e ainda às sábias memórias, produto de longas lucubrações dos seus autores na árdua tarefa de se embrenharem a fundo no âmago dos problemas a resolver, se substituíram elementos mais acessíveis ao comum dos mortais.
Lançou-se mão, portanto, dos modelos em vulto; das plantas e perspectivas aguareladas, nem sempre destituídas de um ou outro assomo de fantasia do artista que, uma vez liberto das talas do rigor geométrico, as tornou mais convincentes; das plantas gerais dando ideias de conjunto acerca de grande número de obras da mesma espécie, ou acerca da forma como se têm solucionado certos grandes problemas nacionais, designadamente os da habitação, da assistência e do ensino; das pequenas monografias, ilustradas profusamente e com o texto redizído ao mínimo, cingidas à disciplina de uma simples folha, convenientemente dobrada para adquirir formato manejável; dos mapas e gráficos, tão sugestivos quanto possível; das fotografias em abundância , tiradas, muitas delas, do ar e focando, portanto aspectos que usualmente não seria possível abranger; das grandes fotomontagens, etc.
(continua)

(Parte II de …)

Eduardo Rodrigues de Carvalho
Presidente da Comissão Executiva da Exposição de Obras Públicas




15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947 (002)

(Fonte: 15 Anos de Obras Públicas – 1.º Vol. Livro de Ouro 1932-1947)

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