1 de dezembro de 2020   
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(Continuação)

II
Nascido do natural anseio do homem de conhecer novas terras e gentes, de descobrir a face do mundo, o fenómeno turístico, tal como hoje se processa, decorre do extraordinário incremento dos meios de comunicação verificado no nosso tempo.
Servido pela rapidez e facilidade das deslocações, o desejo inato de viajar, o benefício das férias em climas salutares, o interesse pela cultura e pela vida de novos grupos humanos – tudo fez surgir, no seu enorme alcance central, o fenómeno turístico como um dos factos sociais mais relevantes da vida internacional.
Facto válido de verdadeiro progresso humano na medida em que, pelo mútuo conhecimento, pode contribuir para que vivam as pátrias em efectiva paz que na verdade e na justiça há-de ter fundamento, o turismo tem de ser visto, quanto aos seus objectivos potenciais, como algo de complexo com implicações muito sérias de ordem social e política.
Acontece hoje que a guerra psicológica dirigida do exterior contra a liberdade e a integridade da Nação portuguesa é comandada por forças às quais não interessa, em nada, a verdade dos factos. Mas o seu poder de penetração resulta, em grande parte, da receptividade que a mentira só encontra, entre homens de boa vontade, quando não lhes é dado conhecer a realidade das coisas.
Dar a quantos nos visitem, clara e aberta, a verdadeira face de Portugal – do Minho a Angola, das Berlengas a Timor – é, para além de todo o benefício económico, a missão mais alta em que todos quantos servem o turismo servem, ao mesmo tempo, o interesse nacional.
Mas, no seu processamento prático o turismo apresenta-se, antes de mais, como factor económico constituindo, para os países em que se desenvolve, uma exportação invisível capaz de ser uma fonte fecunda de divisas; fomentando o aumento do nível de vida pelo acréscimo da produção de serviços e de bens e pelo incentivo do seu comércio; atraindo capitais e dilatando a capacidade de emprego e de remuneração do trabalho.
Se fizermos tudo para não prescindir do benefício do surto do turismo que, hoje, nos bate à porta – nem sequer se poderá dizer de nós que aproveitamos, como aliás seria legítimo, o favor dum acaso feliz.
Mais do que ninguém contribuiu Portugal – em séculos de história – para permitir, aos homens do século XX, este movimento de conhecimento mútuo que é o turismo. Os caminhos do turismo moderno abriram-se, ao mundo, os navegadores portugueses de quinhentos como, ainda há pouco, o reconheceram eloquentemente alguns eminentes nomes da Academia Internacional do Turismo.
O valor económico do turismo tem, dalgum modo, para Portugal, o carácter de simples fruto duma sementeira antiga e benemérita.
Que nos conceda a Providência cultiva-lo, nesta hora de sacrifício e de luta, será compensação merecida por este País em que a própria hospitalidade – pilar do turismo – é índice do respeito que temos pelo direito dos outros e se mede na mesma medida da firmeza com que nos batemos em defesa do nosso direito.

(Continua)


Turismo - Política de Turismo (02)

Política de Turismo – Comunicação do subsecretário de Estado da Presidência do Conselho, Dr. Paulo Rodrigues, ao Conselho Nacional de Turismo, em 7-I-1964.

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