1 de dezembro de 2020   
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I

Ao presidir, pela primeira vez, ao Conselho Nacional de Turismo é-me grato apresentar ao Conselho as minhas homenagens e saudar, em V. Ex.ªˢ, quantos têm servido e servem com dedicação exemplar o turismo português.
Venho hoje aqui porque, tendo estudado – na dúvida – os problemas do nosso turismo, agora creio poder dizer-vos que, todos juntos, iremos realizar – com fé – o muito que de nós exigem esses problemas.
O facto de nos reunirmos no dealbar deste ano novo dá particular sentido ao nosso encontro: significa a consciência, que remos de que em 1964 há-de ganhar-se a batalha do turismo português.
A evolução das correntes turísticas na Europa e a experiência portuguesa de 1963 demonstram claramente a importância que assumirá, no processo do nosso turismo, o ano que começa.
O relevo valioso que a Imprensa e os demais órgãos de Informação dedicam, hoje, ao turismo –e pelo qual lhes rendo pública homenagem – traduz o sentimento de interesse da Nação por algo que efectivamente importa.
Graças a Deus que assim é: eu creio que – mais do que a luz do sol e o azul do mar – o nosso grande património turístico é a hospitalidade da gente portuguesa. Ou seja que cada português tem de sentir nesta obra, que é de todos, o seu quinhão de responsabilidade.
A variedade de motivos de atracção turística e a diversidade dos grupos sociais a que se dirige exigem que, ao lado da acção do Estado, se fomente o esforço dos Municípios, das organizações profissionais, culturais e desportivas, dos que têm para investir dinheiro, trabalho ou simplesmente boa vontade.
Dalgum modo cada um de nós há-de ter consciência de que, em parte, depende dele o êxito desta campanha de abrir Portugal ao mundo uma visão actual, digna, válida de interesse turístico.
Havemos de fazê-lo sem deixar perder nunca a verdade da nossa maneira de ser, a autenticidade dos nossos costumes, a pureza das nossas festas e tradições populares, o real valor da arte e do engenho deste povo, a beleza da paisagem servida pela arquitectura e a decoração que nela se integrem: numa palavra, sendo iguais a nós mesmos.
E matando, ao mesmo tempo, o tipismo barato e inautêntico, a imitação servil e infeliz do figurino alheio, a tentação de ganhar em poucos meses o benefício económico que do turismo poderemos fruir para os tempos futuros.
O interesse que se consagra ao fenómeno turístico, o entusiasmo que se preconiza para o seu estudo e solução não excluem a consciência que se tem e deve ter dos riscos que envolve, desde o plano moral e social ao económico: apenas, tudo ponderado, se julga que serão bem maiores os benefícios e que, do sentido de responsabilidade dos que mandam e do bom senso de todos se pode fiar, prudente e seguramente, o esforço de alcançá-los.
O ano que começa exigirá, de todos os responsáveis pelo turismo português, um grande esforço.
Mas eu creio – todos nós cremos – que vale a pena fazê-lo.
Quisera que o Conselho Nacional de Turismo fosse o fulcro desse trabalho de conjunto que se impõe. As minhas palavras de hoje são, apenas, o singelo enquadramento da vasta problemática sobre a qual o Conselho há-de pronunciar-se em sessões futuras.
Que, no empenho de resolvê-la, possamos todos corresponder, com a generosidade requerida, à apaixonante missão que se nos abre.

(Continua)


Turismo - Política de Turismo (01)


Política de Turismo – Comunicação do subsecretário de Estado da Presidência do Conselho, Dr. Paulo Rodrigues, ao Conselho Nacional de Turismo, em 7-I-1964.

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