27 de outubro de 2020   
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(Continuação)

O que pode fazer-se em matéria de resinas e pasta de papel; ver o que há por lá de petróleo – lá e no Príncipe.
Angola: é todo um mundo. Ainda um mais resumido elenco de questões, portanto. Não haveria uma ligação a fazer para a industrialização respectiva entre as minas de ferro de Lucala e as quedas de água do Duque de Bragança? Estão a poucas dezenas de quilómetros umas das outras. Não se podiam também explorar essências maravilhosas? São a fortuna de Madagáscar. Não haveria que estudar as pastagens e intensificar a cultura do arroz no planalto de Benguela? Há rios navegáveis que o podem levar à África Central e Austral; produzimos 3.000 toneladas; há mercado para meio milhão de libras. Não deveríamos estabelecer reservas de caça? Só teria o inconveniente de interessar o Jardim Zoológico de Lisboa… e eu ser levado a abusar, com mais pedidos, da paciência do Sr. Ministro das Colónias. Não seriam de explorar as pedreiras da sua costa? Tinham um mercado garantido no Brasil e na Argentina, Lãs, peles, couros, sacos, hoje tão precisos, calçado – eis outras tantas apreciáveis possibilidades de Angola; isto além do mais conhecido, diamantes, trigo, milho, carnes, café, algodão, açúcar. Angola já come, de resto, o trigo das suas cearas e nós poderíamos facilmente comer a carne dos seus gados.
Em Moçambique, a mesma coisa. Lembram-se V. Ex.ªˢ das páginas famosas do livro de António Enes? Era muito novo quando as li. Ficou-me sempre a ideia de um paraíso, onde havia… os laranjais de Setúbal. Quanto tempo andado depois! Moçambique está justamente no limiar do seu problema máximo: a passagem dos territórios da Companhia de Moçambique para o Estado. Há ali muito a realizar a longo prazo: Vales riquíssimos a fertilizar; pastos; a água e os esgotos na Beira; as indústrias do álcool, só possíveis no Buzi (deitam-se fora 11 mil toneladas de melaço); as reservas de caça, ainda. Herança magnífica, aliás: a Companhia honrou a sua carta. Mas em tudo o mais, quanto trabalho produtivo ou vigilante a fazer! Reduzir os fretes de cabotagem: parece que de Moçambique a Lourenço Marques se paga o mesmo que de Lourenço Marques a Lisboa.


Lugar e destino de Portugal: a Nau e a Tormenta (14)

Lugar e destino de Portugal: a Nau e a Tormenta – conferência feita na Sala de Portugal da Sociedade de Geografia de Lisboa, em 9 de Maio de 1942. Na sessão solene de encerramento da «Semana Colonial» - Fernando Emygdio da Silva, prof. da Faculdade de Direito

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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