12 de dezembro de 2018   
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Eu trabalhava ao tempo num colégio que era uma tentativa de adaptação a Portugal dos métodos e fins de educação inglesa, já introduzidos e começados a praticar em frança na «École de Roches», de E. Demolins, copiada de modelares escolas inglesas. Lia alguma coisa dos trabalhos de «La Science Social», da superioridade social dos particularistas sobre os comunitários, em cujo tipo, já abalado, nós devíamos ser compreendidos, e estava convencido de que a superioridade do anglo-saxão, tão retumbantemente comprovada no decorrer da guerra europeia, era devida a certos princípios fundamentais da sua formação. Esses princípios podiam ser transplantados, por meio do processo educativo, nas tenras almas das crianças, e, ainda, que devia contar-se com a influência contrária do meio em que haviam de desenvolver-se e viver, era talvez possível estabelecer uma corrente de boas ideias a este respeito, criar ambiente favorável, de modo que nem tudo desaparecesse do nosso esforço, e os pequenos homens que formávamos para a vida, fossem depois outros tantos educadores das novas gerações. Numa palavra, eu estava convencido de que o problema nacional – como na França, como na Itália, como em Espanha – era um problema de educação, ou que, pelo menos, na base de todas as questões, nós íamos reencontrar uma deficiente formação do português, e que portanto de pouco valeria mudar governos ou regimes, se não tratássemos em primeiro lugar de mudar os homens. – Eram precisos homens: tornava-se mister educá-los.
Li então pedagogias, li muitos livros de educação – críticas de velhos processos, rasgados elogios de novos, novas vistas, novos fins a realizar na educação dos rapazes, e de tudo isso resultou-me pelo menos uma convicção bem sólida: oficialmente, no nosso país, não havia uma obra de educação no sentido dum desenvolvimento integral e harmónico de todas as faculdades individuais, o estado quase exclusivamente se tem encarregado da educação intelectual. E quem examinasse de perto e com olhos de ver quase todo o ensino público em Portugal, não podia ter dúvidas de que nem educação intelectual se estava fazendo, mas tudo se resumia num pouco de instrução: conhecimentos muitos ou poucos, às vezes descosidos e dispersos, assimilados umas vezes, outras vezes apenas exteriormente aderentes ao cérebro, para o efeito de um exame em que se obtinha com a passagem o direito de esquecer. Despejado o balde, de novo se ia encher com outras noções, com outros conhecimentos, e recomeçava a infindável série. No fim de tudo ao cabo do curso, o balde estava… vazio.


Florilégio de pensamentos- Algumas das Mais Belas Páginas de Salazar (02)

Eu trabalhava ao tempo num colégio – Em A Minha Resposta págs. 14 a 16
Edições Panorama - Lisboa 1961

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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