18 de dezembro de 2018   
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Meus Senhores

Aqui, no coração da Beira, cerne da grei, ano centenário do Infante D. Henrique, duque de Viseu, universalizador de Portugal, não podemos esquecer que este é o Distrito de Salazar, berço da sua primeira hora, e que nesta veneranda cidade se lapidou a sua juventude, revelando-se a força e a pureza da luz do seu espírito de eleição. Comecemos, portanto, meus senhores, por o saudar, respeitosamente, tributando-lhe as homenagens devidas, na lealdade da nossa colaboração voluntária e consciente nas fileiras da União Nacional.
Somos dos que crêem ser a História de um povo produto da alma, inteligência, e do braço colectivos interpretados no génio dos seus guias cíclicos. Sem um grande povo, como o nosso, austero, inteligente, audaz, valente e caridoso, não teria sido possível a epopeia dos Descobrimentos; assim como, sem o espírito de eleição, o génio condutor do Infante D. Henrique, para nada teriam servido, na História dos Descobrimentos, as virtudes magníficas do povo português. Os espíritos de eleição, chefes com missão histórica, não se improvisam: correspondem a necessidades circunstanciais de tempo e de lugar e revelam-se e impõem-se pela sua perfeita identificação com os superiores interesses da comunidade. E não se repetem. Só há um Infante D. Henrique na História de Portugal, assim como nunca houve, na História Universal, dois Alexandres, dois Júlios Césares, dois Carlos Magnos ou dois Napoleões.
Por isso, a história dos povos é uma sucessão alternada de vales e colinas, com épocas de grandeza e de modéstia, surtos maravilhosos e marasmos deprimentos, ora na vanguarda e ora atrás de todos; e quem reparar nestas oscilações históricas há-de ver que as subidas para a colina são sempre comandadas por um guia de excepção e que as demoras no vale correspondem à ausência de verdadeiros chefes de eleição.
Nós estamos, agora, meus senhores, no alto da colina (graças a Salazar, um guia de eleição com universalidade que surge de séculos e séculos) e depende de todos nós, do povo português, permanecermos no cimo ou descermos, de novo, aos lamaçais do vale.
Isto, dito assim, aflige muita gente, — eu bem o sei, — porque ninguém é profeta na sua terra e o próprio Jesus Cristo viu negados seus milagres pelos patrícios, quando se interrogavam, invejosos e descrentes: mas, acaso, não é este o filho do carpinteiro de Nazaré?
Não obstante, nós temos porfiado em sustentar e esclarecer a missão histórica de Salazar, para além dos homens e paixões dos nossos dias, porque os Portugueses precisam, para viver, de voltar a acreditar neles próprios, nas magníficas virtualidades da Raça, na sua História maravilhosa, e nas estranhas possibilidades morais e intelectuais que os distinguem sempre que mantêm a fé e a unidade em que nasceram.
Ressoa em toda a terra portuguesa, com eco no Mundo inteiro, nestes dias evocativos, o nome do Infante D. Henrique, e é preciso que ninguém tenha medo de saber e afirmar que estamos homenageando a memória de uma das maiores figuras da História Universal. Se quisermos, podemos adoptar, doravante, em letras de oiro, a síntese lapidar com que o nobre Presidente Eisenhower, chefe da maior Nação do Mundo contemporâneo, definiu, há

(Continua)

Documentos Históricos (49)

Passado, Presente e Futuro

Conferência realizada em Viseu, pelo escritor Costa Brochado, em 14 de Junho de 1960, perante as comissões políticas do distrito, sob a presidência do governador civil, Exmo. Sr. Dr. Marques Teixeira (1 de 8)

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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