17 de dezembro de 2018   
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(Continuação)


Este programa cuja redacção ao que parece, se deve a Henrique Trindade Coelho, suscitou larga e viva discussão no Conselho de Ministros, cuja reunião foi levantada sem que fosse possível chegar-se a acordo.
Foi, ao que se julga, neste Conselho que os ministros dos Estrangeiros e Comércio, respectivamente general Carmona e coronel Passos e Sousa, fazendo-se eco das reclamações dos oficiais do Porto e dos de Sacavém, fizeram um ultimatum ao comandante Cabeçadas para que este deixasse o Governo, ao que o conhecido oficial da Armada se negou.
Seja, porém, como for e esta cena do Conselho de Ministros não foi até hoje confirmada, o certo é que, dia a dia cresciam as más vontades contra Mendes Cabeçadas que continuava a ser joguete nas mãos dos políticos.
A célebre lei, reconhecendo a fornada de novos revolucionários civis, não deixara ainda de causar a maior impressão em todos os sectores do Exército. Foi então que começaram as pressões junto de Gomes da Costa, no sentido de o general alijar o Presidente do Ministério.
No dia16 de Junho de 1926, o major Miguel Bacelar, em nome dum grupo de oficiais, procurou o coronel D. José de Serpa, chefe de gabinete de Gomes da Costa, ao qual declarou ser impossível continuar aquela situação.
Nessa conversa ficou assente que Gomes da Costa saísse ao outro dia para Sacavém e daqui desse o golpe de Estado contra Cabeçadas.
Efectivamente de madrugada o Chefe da Revolução Nacional dirigiu-se para o meio das suas tropas, onde em breve se lhe juntaram os restantes ministros militares, enviando então a Mendes Cabeçadas a seguinte carta-ultimatum que foi entregue ao Presidente do Ministério pelo tenente Herculano de Moura, ajudante e genro do general:

Exmo. Senhor Capitão-de-Mar-e-Guerra Mendes Cabeçadas:

Recusou-se V. Exa, sistematicamente, a aceitar todas as plataformas de conciliação para a marcha regular do Governo. Deixou-se perturbar e manietar por influências hostis ao Movimento revolucionário que o Exército levou a efeito — não o ignora V. Exa. — com este objectivo único: a dignificação da Pátria e a reabilitação da República.
Vejo-me, assim, dolorosamente coagido a desistir da colaboração de V. Exa no Governo, cuja presidência assumi, a fim de evitar a discórdia que já principiava a fermentar no seio do Exército Português, perturbando o meu comando pela acção imprudente e irreflectida que preparava o fracasso do grande movimento nacional de 28 de Maio.
Quartel-General de Sacavém, i de Junho de 1926.

O Chefe do Governo
a) General Gomes da Costa

A este «ultimatum» respondeu Cabeçadas com uma carta de que também foi portador o tenente Moura que dizia assim:

Exmo. Sr. General Gomes da Costa:

À 1 hora da tarde reunirá o Conselho de Ministros para me habilitar a dar uma resposta à sua carta de hoje.
Lisboa, 17-6-926.

O Presidente do Ministério
a) José Mendes Cabeçadas Júnior

À tarde reuniu o Conselho de Ministros, após o qual Mendes Cabeçadas dirigiu a Gomes da Costa a carta submetendo-se:

Exmo. Sr. General Gomes da Costa:

Tendo verificado a impossibilidade de resistir à sua imposição e convencido de que as instituições republicanas não estão em perigo deixo o Governo, certo de que V. Exa. e os Exmos. Ministros que o acompanham saberão defender e prestigiar a República Portuguesa e promover a prosperidade da Nação como eu sempre o desejei.

De V. Exa
José Mendes Cabeçadas Júnior

(Continua)


Documentos Históricos (47)

A arrancada de 28 de Maio de 1926, por Óscar Paxeco – 1956.
Elementos para a história da sua preparação e eclosão.

A demissão do Comandante Cabeçadas (I de II)

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