13 de dezembro de 2018   
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(Continuação)

Às 15 e 10 do dia 12 chega a Lisboa, à estação do Rossio, o sr. Prof. Doutor António de Oliveira Salazar que é aguardado pelos ministros da Justiça e da Instrução, seus colegas de cátedra em Coimbra, e individualidades de destaque no Centro Católico, entre as quais os srs. drs. Lino Neto e Joaquim Dinis da Fonseca.
Seguem logo todos para o Ministério do Interior onde se encontram o comandante Cabeçadas e o tenente-coronel Passos e Sousa. Depois de conversar cerca de meia hora, o novo ministro das Finanças, acompanhado pelos outros ministros, dirige-se ao seu gabinete, onde já o esperam os Directores Gerais. O comandante Cabeçadas, num breve discurso, põe em relevo as notáveis qualidades do sr. Doutor Oliveira Salazar, como um dos mais brilhantes professores da Universidade de Coimbra. O secretário-geral do Ministério, sr. dr. Alberto Xavier, em nome dos funcionários, assegura ao novo ministro toda a colaboração.
O ministro das Finanças em resposta afirma que tendo saído o Governo de um Movimento Militar se encontra ali por assim dizer mobilizado, para desempenhar uma missão que lhe foi confiada.
Não tem plano traçado e está pouco habituado a ver cumprir os vários projectos económicos apresentados pelos homens que têm sobraçado a pasta das Finanças. Vai ver se sem programa alguma coisa poderá fazer a bem da economia nacional. A sua função será a de uma boa dona de casa, sabendo gastar com moderação de forma a estabelecer o equilíbrio entre os gastos e os proventos. Para isso trabalhará com vontade mas não esperem que faça milagres apesar da força que ao Governo deu a Revolução.
Os problemas que correm por aquela pasta são difíceis e a sua solução morosa. Enganam-se os que pensam o contrário.
Na mesma tarde da posse o Diário de Lisboa ouve o novo ministro das Finanças com quem o jornalista trava o seguinte diálogo:

— «Quais são as medidas que V. Ex.a vai pôr em prática?
— «Não trago programa. Fui mobilizado. Recebi guia de marcha para me apresentar no Ministério das Finanças e cá estou.
— «V. Ex.a deve ter os seus pontos de vista...»
— «Não tenho ideias à priori sobre aquilo que vou fazer. Só depois de colher os elementos de que necessito é que posso satisfazer a sua curiosidade.»
— «Curiosidade que não é nossa; é de seis milhões de pessoas que aguardam a solução do problema nacional.»
Com um sorriso amável:
— «Eu sei... Os srs. são jornalistas temíveis...»
Arriscámos ainda uma pergunta:
— «O que pensa sobre a questão dos Tabacos?»
— «Por enquanto não posso dizer-lhe.»
E a todas as perguntas que lhe fazemos o sr. ministro das Finanças respondeu que ainda era cedo para falar.
A guarnição do Porto que não recebeu bem a nomeação do general Roberto Baptista, filiado no partido de Álvaro de Castro, para seu comandante, pretende fazer imposições. É pelo menos o que é lícito concluir de afirmações feitas por oficiais daquela cidade à Imprensa.
No Porto há uma certa excitação contra o comandante Mendes Cabeçadas o que determina a vinda a Lisboa, como delegado do comandante da Divisão, do major Sena Lopes.

(Continua)

Documentos Históricos (43)

A arrancada de 28 de Maio de 1926, por Óscar Paxeco – 1956.
Elementos para a história da sua preparação e eclosão.

Salazar no Governo – a sua primeira entrevista

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