17 de dezembro de 2018   
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(Continuação)

Neste mesmo dia Mendes Cabeçadas seguiu para Coimbra ao encontro de Gomes da Costa que chegara à cidade universitária no meio de aclamações verdadeiramente apoteóticas.
A Academia faz publicar um manifesto em que apela para o general e termina:

«É V. Exa. Sr. general quem neste momento histórico guarda a honra do Exército! A força armada desembainhou as suas espadas para salvar Portugal. Os políticos pretendem que essas espadas sejam embainhadas para que eles — os responsáveis pelo descalabro nacional — continuem a sua obra tenebrosa de destruição. Não pode ser! A mocidade portuguesa não quer herdar uma Pátria aviltada e em ruínas Os estudantes de Coimbra querem o Exército dignificado e honrado e protestam contra os políticos venais que desejam ver os soldados de Portugal cobertos de lama!
«Antes cobertos de sangue senhor general honrando as armas portuguesas como aqueles soldados que souberam morrer heroicamente em África e na Flandres!
«Neste momento em que a intriga política impõe que o Exército se cubra de lama a mocidade portuguesa grita aos soldados de Portugal que tenham em mira o bem da Pátria!
«A Pátria é de todos nós e não apenas dos vampiros da política, os falhados, os degenerados que têm desonrado a Nação!
«Senhor general!
«A mocidade portuguesa espera que o Exército cumpra o que prometeu! Espera que as espadas desembainhadas para salvar a Nação, só voltem às bainhas quando Portugal livre de políticos e de sicários, possa gritar o seu triunfo e afirmar a sua fé num futuro de glória!
«E então, de Norte a Sul, o povo gritará como nós agora moços crentes na acção decisiva do Exército Português:

«Viva o Exército!
«Viva a Pátria!»
Gomes da Costa dirige-se ao Quartel-General da 5ª Divisão onde agradece as manifestações e afirma, num discurso, que ele e o comandante Cabeçadas representam a vontade da Nação. Por seu turno Mendes Cabeçadas faz o elogio do general.
Realiza-se depois a histórica conferência de que sai o triunvirato constituído por Gomes da Costa, Mendes Cabeçadas e Gama Ochôa.
Simultaneamente, de Vendas Novas inicia-se a marcha para o Setil das tropas da 4ª Divisão, sob o comando do general Carmona, que numa entrevista concedida ao Século, antes de abandonar Évora, diz que a política será tanto quanto possível afastada, protegendo-se as classes operárias e também que o lema do Movimento é ordem e trabalho.
O sr. Cunha Leal, no seu jornal A Noite, aplaudia a acção do Exército e afirmava:

«Como chefe dum partido, apenas peço que nos deixem exercer tranquilamente a nossa missão, de propagandear os nossos princípios. Não temos a ânsia de nos instalarmos no Terreiro do Paço, de tão más recordações. A nossa hora há-de chegar, estamos certos disso.
«E se não chegar é que o Exército conseguiu realizar o milagre de salvar o País, pescando pela Nação fora a pérola das competências. E ainda nos restará uma missão: bater palmas. Porque sendo o nosso objectivo comum, nenhuma inveja nos causará que o destino nos não tenha querido transformar no instrumento providencial da salvação.»
Filomeno da Câmara, numa entrevista concedida à imprensa, afirma o seu aplauso a Gomes da Costa e a sua discordância com o Governo de Lisboa, de Mendes Cabeçadas.
Ao fim da tarde do dia I de Junho é fornecida à imprensa a seguinte nota oficiosa:

«Entre o presidente do Ministério, sr. comandante Mendes Cabeçadas, e o general Gomes da Costa houve uma entrevista muito amistosa da qual resultou unidade de vistas e pleno acordo, desfazendo-se assim equívocos que ultimamente se tinham espalhado tendenciosamente.

aa) Comandante Cabeçadas, General Gomes da Costa, Comandante Ochôa»

Esta nota logo que recebida no Ministério da Guerra foi comunicada a todas as unidades.
No dia 2, Cabeçadas regressa a Lisboa indo imediatamente para a Amadora, onde se realiza uma importante reunião a que assistem a oficialidade das tropas acampadas naquela vila, bem como os comandantes Armando Ochôa e Oliveira Gomes, major Brito Pais e tenentes Pais Ramos, Guedes Dias e Rebelo de Almeida.
A distribuição das pastas pelo triunvirato fora feita da seguinte maneira:

Presidência, Marinha, Justiça, Finanças e Comércio e Comunicações — Mendes Cabeçadas. Guerra, Colónias e Agricultura — Gomes da Costa. Interior, Negócios Estrangeiros e Instrução — Gama Ochôa.
A C.G.T. vota em princípio, perante as resoluções da reunião de Coimbra, a Greve Geral Revolucionária que deverá ter início logo o respectivo comité a proclame em manifesto devidamente autenticado. A esquerda democrata também afirma as suas reservas perante a reunião de Coimbra.

(Continua)

Documentos Históricos (35)

A arrancada de 28 de Maio de 1926, por Óscar Paxeco – 1956.
Elementos para a história da sua preparação e eclosão.

O primeiro encontro entre Gomes da Costa e Cabeçadas

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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