19 de dezembro de 2018   
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(Continuação)

Na capital a guarnição continuava por aderir. O Governo, completamente desorientado, ainda conseguiu organizar uma coluna sob o comando do comandante Freitas Ribeiro que, de resto, não passou da Amieira.
Ao começo da noite do dia 30 reunia-se no Palácio de Belém, sob a presidência de Bernardino Machado, e depois de uma visita feita por António Maria da Silva ao Campo Entrincheirado, o Conselho de Ministro, sendo pelas II horas enviada aos jornais a seguinte nota oficiosa:

«O Chefe do Governo, em conformidade com a deliberação unânime do Conselho de Ministro, apresentou o seu pedido de exoneração ao sr. Presidente da República, que procederá hoje mesmo às diligências necessárias para a constituição de um Governo Nacional.
«O Ministério ficou encarregado de tomar todas as medidas necessárias à Segurança Pública.»
Bernardino Machado recebera os comandantes das unidades da guarnição de Lisboa que lhe haviam ponderado a gravidade da situação com a chegada iminente de forças revolucionárias.
Nesta altura já se haviam manifestado a favor da adesão à Revolução, Infantaria I, Artilharia 3 e a Bateria de Queluz.
Foi então que o Presidente da República mandou soltar Mendes Cabeçadas, convocando-o para Belém, a fim de lhe entregar o Governo.
Ao mesmo tempo por todo o País era profusamente espalhada a última proclamação do general Gomes da Costa:

«Portugueses!
A Nação quer um Governo Nacional Militar rodeado das melhores competências para instituir na administração do Estado a disciplina e a honradez que de há muito perdeu.
Empenho a minha honra de soldado na realização de tão nobre e justo propósito. Não quer a Nação uma ditadura de políticos irresponsáveis como tem tido até agora. Quer um Governo forte que tenha por missão salvar a Pátria, que concentre em si todos os poderes, para, na hora própria, os restituir a uma verdadeira representação nacional, ciosa de todas as liberdades, representação que não será de quadrilhas políticas, mas dos interesses reais vivos e permanentes de Portugal.
Entre todos os corpos da Nação em ruína é o Exército o único com autoridade moral e força material para consubstanciar em si a unidade duma Pátria que não quer morrer.
À frente do Exército Português, pois, unido na mesma aspiração de redenção patriótica, proclamo o interesse nacional contra a acção nefasta dos políticos e dos partidos e ofereço à Pátria enferma um Governo forte, capaz de opôr aos inimigos internos o mesmo heróico combate que o Exército deve aos inimigos externos.
Viva a Pátria!
Viva a República!

a) General Gomes da Costa

Às I0 horas da noite do dia 31 estavam concentrados no Entroncamento, à ordem do general Gomes da Costa, dois mil homens, tendo já aderido então a guarnição de Lisboa e havendo-se colocado a Marinha ao lado do Exército.
Depois do Governo ter pedido a demissão, voltaram a reunir-se com o ministro da Guerra, José de Mascarenhas, os comandantes da guarnição militar de Lisboa, resolvendo-se entregar a defesa da Ordem Pública a Infantaria I, Cavalaria 2, Artilharia 3 e Grupo a Cavalo de Queluz, que para isso se foi concentrar no Alto da Ajuda.
Pelas 5 horas da manhã do dia 31 era enviada à imprensa a seguinte nota oficiosa:

«O tenente de Infantaria, sr. Carlos Vilhena, membro do Comité Revolucionário, acompanhado dos delegados, srs. capitão Mendes Cabeçadas, tenente Francisco Granger e João Morais Camacho, foram pela madrugada de hoje à Presidência da República, onde, após uma conferência com o sr. Bernardino Machado ficou resolvido entregar ao Comité Revolucionário e ao sr. general comandante da 1ª Divisão, a Manutenção da Ordem Pública.
Em seguida foi determinado que o Governo Civil fosse ocupado militarmente, sendo o policiamento da cidade feito unicamente por forças do Exército.
Aguarda-se a vinda do sr. comandante Cabeçadas, comandante Ochoa e capitão Jaime Baptista (fora a Sefiba1 tentar levantar a respectiva guarnição) para, reunindo o
Comité, se escolher o Governo.
As tropas de Lisboa. aderiram ao Movimento na sua totalidade.
Foram mandados soltar todos os presos por motivo deste movimento revolucionário.»
Em Nine, o coronel David Rodrigues, ante a decisão dos seus camaradas, resolve também aderir à Revolução, conjuntamente com o coronel Leito de Magalhães, comunicando-o a Gomes da Costa que lhe agradece e lhe pede continue com o comando da coluna mista.
Entretanto, Gomes da Costa abandona Braga e segue para o Porto, onde é recebido delirantemente pela população, ao mesmo tempo que o general Sousa Dias se demite do comando da Divisão.

(Continua)

Documentos Históricos (29)

A arrancada de 28 de Maio de 1926, por Óscar Paxeco – 1956.
Elementos para a história da sua preparação e eclosão.

A desorientação do Governo que por fim se demite

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