13 de dezembro de 2018   
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(Continuação)

acordar a consciência pública para a realização duma obra do Governo nacional, cujas medidas fundamentais e urgentes se podem sintetizar assim:

«1º — Publicação de um Estatuto fundamental, que mantendo essencialmente o regime republicano proclamado em 1910 e reconhecido pelas Potências, lhe introduza as modificações necessárias para garantir o seu regular funcionamento;
«2º — Reorganização dos serviços públicos e lei complementar de responsabilidade criminal e civil conexa de todos os agentes do Estado;
«3º — Redução das despesas públicas;
«4º — Regularização das contas públicas e simplificação do regime tributário;
«5º — Desenvolvimento da riqueza nacional;
«6º — Reforma e sistematização dos métodos de ensino e educação;
«7º — Organização duma justiça independente com processos rápidos e eficazes para a reparação dos direitos e punição dos crimes;
«8º — Reorganização imediata dos serviços e coordenação dos planos de fomento coloniais, intensificando o progresso económico e financeiro das colónias;
«9º — Reorganização militar e naval, segundo os últimos ensinamentos e aquisição de material moderno e indispensável;
«10.° — Garantia insofismável dos direitos de vida, propriedade e bom nome dos cidadãos.

«Que todos aqueles que amam verdadeiramente a Pátria e queiram ver dignificada a República auxiliem com fé e Lealdade este movimento de regeneração política, económica, administrativa, financeira, intelectual e moral de um País, cujos recursos próprios, espírito de iniciativa e sacrifício em prol da Humanidade, lhe dão direito a um lugar inconfundível na Sociedade das Nações. — A Junta de Salvação.

Havia também quem atribuísse este manifesto à chamada Junta Verde (o que se verificou, depois, não ser verdade), constituída, no quartel de Infantaria 2, às Janelas Verdes, e que era composta pelos srs. tenente-coronel Júlio Acheman, majores Manuel Joaquim Crespo Júnior e Corregedor Martins, capitães Alberto Nunes Freire Quaresma e David dos Santos.
Esta Junta resolveu nomear Governador Civil interino de Lisboa o tenente-coronel Ferreira do Amaral e extinguir a Censura à Imprensa, dar ordem às divisões militares e publicar decretos (?) no Diário do Governo.
Actuava, segundo alguns, por conta do sr. Álvaro de Castro e tinha como missão especial «pescar nas águas turvas» e tirar do Movimento o possível proveito para alguns políticos, ainda que adversários do Governo, mas homens dos partidos.
O Ministério, ao mesmo tempo que Gomes da Costa «arrancava» com a 8ª Divisão, estabelecia uma tirânica censura à imprensa, fazendo afixar em várias esquinas da cidade de Lisboa, bem como nos principais centros da Província, uma «nota oficiosa» que dizia assim:

«Há sossego em todo o País. Apenas uma parte da guarnição de Braga está revoltada sob o comando do general Gomes da Costa. No Porto o sossego é absoluto. Foram organizadas duas colunas para seguirem para Braga, a fim de dominar os revoltosos.»
Logo na noite de 28 de Maio, promovida pelas Juventudes Monárquicas, se realizou uma grande manifestação contra o Governo, partindo-se no Rossio um enorme tacho de barro, símbolo do refastelamento partidário à mesa do Orçamento.
Seguro de que as afirmações do Governo estavam longe de corresponder a qualquer espécie de verdade (admite-se que a verdade tenha, por vezes, várias espécies), e eram patranhas totais e acabadas, o comandante Mendes Cabeçadas que «controlava» o Comité de Lisboa, resolveu tentar o golpe que lhe conferisse o Poder que, de facto e de direito, lhe não pertencia.
Então escreveu a sua histórica carta ao Presidente da República, sr. dr. Bernardino Machado, redigida nos seguintes termos:

«Lisboa, 29-5-926.

Exmº Sr. Presidente da República:
Os oficiais, representando a grande maioria do Exército, encarregam-me de comunicar a V. Exª o seu veemente desejo de

(Continua)

Documentos Históricos (22)

A arrancada de 28 de Maio de 1926, por Óscar Paxeco – 1956.
Elementos para a história da sua preparação e eclosão.

Lisboa agita-se... — Uma proclamação-legenda certa da vida nacional (II de III)

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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