18 de dezembro de 2018   
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(Continuação)

Como não havia artilharia, teve que se substituir as peças por metralhadoras ligeiras. De Cavalaria havia apenas algumas praças do II, comandadas pelo capitão Alfredo de Castro Antas e tenente Gonçalves, que tinham a seu cargo os serviços de vigilância.
A notícia do avanço de tropas do Porto, continuava a correr com insistência, motivo pelo que Gomes da Costa encarregou Charters de Azevedo de ir à capital do Norte saber o que se passava. Este foi. No Porto encontrou já os tenentes Lavoura Mata e Silva e Urbano Valente, chegados de Lisboa, que pretendiam «levantar» a guarnição da capital do Norte. Soube também que debaixo do comando do coronel David Rodrigues (O tenente-coronel Valente cumprira aquilo a que se comprometera: de no caso de ter de enviar algumas forças para Braga incluir nelas os oficiais que mais podiam opôr-se à adesão do Porto. Supunha-se que o coronel David Rodrigues fosse um deles e, por estar mal Informado, outro, o Marques de Ficalho), fora organizada uma coluna de que fazia parte uma bateria de artilharia ligeira sob o comando do tenente Marquez de Ficalho, e também que a essas forças se tinham juntado alguns oficiais anti-revolucionários de Infantaria 20, que seguiram para a Trofa com poucos soldados e os músicos daquele regimento, então aquartelado em Guimarães.
Charters de Azevedo regressou a Braga com estas informações. Mas à entrada da cidade, por um equívoco nunca suficientemente esclarecido, foi preso. Posto em liberdade foi dar conta a Gomes da Costa do que se passava. Decidiu-se que voltasse à capital do Norte, desta vez acompanhado do tenente-coronel Vasco de Carvalho, que ia incumbido de chefiar o assalto ao Quartel-General da 3ª Divisão, e também com o encargo de procurar o Marquez de Ficalho, havia tempo por ele aliciado, para o pôr ao corrente do que se passava e pedir-lhe que cumprisse quanto prometera, ao aderir ao Movimento.
O Marquês de Ficalho que resolvera combater a Revolução, por julgar tratar-se dum movimento radical, informado da verdade, imediatamente se pôs às ordens de Gomes da Costa.
Cerca da meia-noite do dia 28 a guarnição do Porto, onde a oficialidade de Infantaria 18 e 31, bem como a artilharia da Serra do Pilar desde o começo da Revolução se mostrara a favor dos revolucionários, resolveu comunicar ao general Sonsa Dias a sua decisão de aderir à Revolução e também de enviar ao encontro da coluna mista do coronel David Rodrigues, os majores Leitão e Sena Lopes, com uma ordem do sub-chefe do Estado-Maior do Porto, para aquele retroceder, não prosseguindo na sua marcha contra Braga.
O general comandante da 3ª Divisão, militar bem conhecido pelas suas afinidades partidárias, era filiado no Partido Democrático, submeteu-se e, sem já ter tropas que lhe obedecessem, ficou no seu gabinete aguardando os acontecimentos.
Os majores Leitão e Sena Lopes alcançam a coluna dos coronéis David Rodrigues e Leite de Magalhães em Nine, dando-lhe conta da decisão dos oficiais e também da ordem do Chefe do Estado-Maior.
Foi nesta altura que se verificou a única morte produzida durante a Revolução: o tenente Augusto de Oliveira, ao verificar que a coluna de que fazia parte não seguia além de Nine e por isso ele não podia cumprir o compromisso que tomara de defender o Governo de combater os revoltosos, num assomo de lamentável desespero suicidou-se.
O País continuava a aderir. O general Sinel de Cordes continuava a cumprir o que prometera e a sua organização a mostrar a eficiência.

(Continua)

Documentos Históricos (20)

A arrancada de 28 de Maio de 1926, por Óscar Paxeco – 1956.
Elementos para a história da sua preparação e eclosão.

As primeiras declarações do Chefe da Revolução (III de III)

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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