12 de dezembro de 2018   
>> PÁGINA INICIAL/TEXTOS
..:. TEXTOS

(Continuação)

por mim já estou comandando a 8ª e a 6ª divisões, que estão connosco inteiramente.»
Depois acrescentou que contava seguir para o Porto, na mesma tarde, o que fez.
Mal o Governo teve conhecimento do que se estava passando imediatamente ordenou ao general Sousa Dias, comandante da 3ª Divisão que se apossasse do governo da cidade, tomando as medidas inerentes. Sousa Dias envia então um telegrama a Gomes da Costa, afirmando-lhe a sua consideração pessoal e de camarada, mas declarando-lhe que só obedece às ordens do Ministério e do ministro da Guerra. Ao mesmo tempo, cumprindo as ordens de Lisboa, organiza duas colunas mistas contra Braga, à frente das quais coloca os coronéis David Rodrigues e Leite de Magalhães.
A Braga continuam, no entanto, chegando mais adesões. Depois de Viana do Castelo e de Valença, aderiu o tenente António José da Silva, de Vila Real de Trás-os-Montes, que Gomes da Costa nomeou depois Governador Civil daquele distrito. Foi este oficial que a certa altura telefonou para Braga a pedir licença para prender o general comandante da 6ª Divisão Militar, com sede naquela cidade, que tinha ido para Chaves a fim de organizar a resistência. Foi o capitão Bacelar quem, em nome de Gomes da Costa, lhe deu a autorização.
Seguidamente aderiu a guarnição de Penafiel.
O comandante da «arrancada» logo comunica ao general Sousa Dias esta adesão, visto Penafiel fazer parte da 3ª Divisão de que este é comandante.
Coincidindo com a chegada do telegrama de Gomes da Costa no Porto era distribuída uma proclamação que dizia assim:

«Cidadãos:

«Continua alastrando de Norte a Sul o Movimento Nacional que para salvação do País teve o seu início na madrugada de hoje e que se propõe prestigiar a República, impondo a moralização dos costumes.
«É necessário que impere a máxima calma nos ânimos, aguardando serenamente os acontecimentos, na certeza de que a boa causa há-de triunfar.
«Apesar das dificuldades nas comunicações e das falsas informações do Governo, podemos desde já registar como certas as sublevações das nossas gloriosa Marinha de Guerra, das 4ª, 6ª e 8ª Divisões do Exército e bem assim as guarnições militares de Coimbra, Entroncamento, Mafra, Lamego, Portalegre, etc....
«A guarnição do Porto, que moralmente está com o Movimento, vai também manifestar-se.
«Viva a Pátria!
«Viva a República!
«Viva o Exército de Terra e Mar!

«Porto, 28 de Maio de 1926.
A Junta de Salvação Pública».

Pelas 15 horas uma grande manifestação popular percorre as ruas da capital do Norte, vitoriando a Revolução e levando em triunfo os membros do Comité Revolucionário, idos de Lisboa, dr. Mota e Silva, tenente Joaquim Vasco e alferes Valente, Santos Ferreira e João de Almeida.
Mais ou menos à mesma hora, a guarnição de Coimbra, num comunicado do comandante da Divisão, declara aderir ao Movimento.
Em Braga o ambiente começava a desanuviar-se, mas estava longe de ser tranquilizador.
E era assim porque, desde que a Revolução saíra para a rua, começara a correr a notícia que da guarnição militar do Porto tinham saído tropas para combater os revolucionários.
Imediatamente se organizou a defesa da cidade revoltada, estabelecendo-se uma linha que interceptava as estradas do Porto sobre a cidade dos Arcebispos. Era uma linha de ocupação que se estendia a cerca de quatro quilómetros ao sul de Braga, demarcando uma zona que foi logo alcunhada de «Fronteira da Frigideirolândia». As tropas dessa linha eram constituídas por quatro companhias, sob o comando dos capitães José Gonçalves da Silva, António da Silva Poças, Machado e Pernil. A companhia do 29 comandada pelo capitão José Gonçalves da Silva, tendo como reserva a de Infantaria 8, do comando do capitão Poças, guarnecia a estrada da Misericórdia a Nine, no cruzamento de Sequeira. A companhia do 20, do comando do capitão Machado, tendo como reserva a de Infantaria 3, comandada pelo capitão Pernil, guarnecia a estrada de Braga ao Porto, abaixo da Misericórdia, perto de Celeirós.

(Continua)

Documentos Históricos (19)

A arrancada de 28 de Maio de 1926, por Óscar Paxeco – 1956.
Elementos para a história da sua preparação e eclosão.

As primeiras declarações do Chefe da Revolução (II de III)

Consultar todos os textos »»

 
Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
Site criado por Site criado por PRO Designed :: ADVANCED LINES