18 de dezembro de 2018   
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(Continuação)

Ao começo da tarde, Gomes da Costa recebia no seu Quartel General, de Braga, o primeiro jornalista, o redactor de O Século, que recolheria para o seu jornal as declarações do grande Cabo de Guerra:
«O nosso intuito — diz então o general — está já bem expresso em algumas proclamações que foram distribuídas pelo País e nomeadamente em Lisboa e Porto. Não nos movem quaisquer fins políticos. Todos nós, os que nos metemos nisto, não temos intenção de ferir ou de defender interesses partidários. Queremos apenas libertar o País duma nefasta influência, nociva a todos os respeitos, que o traz oprimido, entregando a sua governação a gente competente e capaz de fazer aquela obra de reconstrução social que se impõe e que toda Nação una voce reclamava.
«Não há homens honrados e patriotas neste País que não estejam hoje connosco de alma e coração. O nosso movimento não foi preparado com a simples e estúpida preocupação de assaltar o Poder; simplesmente nos move o desejo veemente de acabar com o estado de coisas nojento e repugnante que há alguns anos se mantém para vergonha deste País, dando-lhe aquelas possibilidades legítimas de ressurgir para a vida e para a civilização.»
E acrescentava:
«Temos nós porventura o direito de ver o País desaparecer pouco a pouco, não evidando os nossos melhores esforços no sentido de o salvar de uma derrocada, cujas consequências são difíceis de prever? Não temos nós, porventura, o direito de nos opor com todo o nosso amor pátrio ao descalabro nacional que se avizinha a passos velozes? É-nos lícito por acaso esquecermos os galões que temos nos braços, o juramento de honra que fizemos, não procurando por todos os modos e feitios defender a Pátria contra tudo e contra todos?
«Não! O nosso dever é derramar o sangue e lutar pela Pátria. Não são os estrangeiros que põem a nossa Pátria em cheque, preparando-lhe a ruína. Mas, ainda é pior. São os nacionais, são os mais perigosos, aqueles que lhe desferem punhaladas mais violentas, mais ferozes, mais mortíferas.
«E nós não podemos consentir em tal. Basta por uma vez. A paciência tem limites. O País nada tem, nada possui. Está à beira da miséria. Somos um País de turismo e não temos estradas; temos apreciabilíssimas fontes de receita económica e destruímo-las; vencemos a guerra e fomos derrotados na paz; temos colónias e não as cultivamos, deixando-as andar ao acaso das ambições de fora; temos possibilidades, mais que nenhum outro povo, de ressurgir financeiramente, e cada dia estamos mais arruinados. E tudo isto porquê? Porque nos não têm governado pessoas competentes, idóneas, capazes de realizar a obra que está por fazer, continuarmos numa situação que todos aceitam no cenobismo, vaidade, ou... desejo de enriquecer.
«A que temos assistido no decorrer dos últimos anos? Ao espectáculo degradante de roubos, depredações, excesso de incompetência, falta de vergonha e de brio — eu sei lá! O Exército, o nosso querido e glorioso Exército, não tem absolutamente nada. Ora, francamente, ele não entrou na Guerra e não fez todos os esforços para vencer, para afinal de contas sair dessa luta titânica mais diminuído, mais enfraquecido, mais falto de tudo do que antes.
«Foi tudo isto que contribuiu para que hoje nós viéssemos todos procurar defender o prestígio do Exército e a segurança e o futuro da Nação. Não somos políticos, nada queremos com os políticos. Mas isso não significa, repito, que nos esqueçamos do nosso dever de militares e de portugueses.
«Creio que não sustentaremos luta alguma. Aqui em Braga toda a guarnição está sem discrepância alguma a meu lado. E eu

(Continua)

Documentos Históricos (18)

A arrancada de 28 de Maio de 1926, por Óscar Paxeco – 1956.
Elementos para a história da sua preparação e eclosão.

As primeiras declarações do Chefe da Revolução (I de III)

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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