17 de setembro de 2019   


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Eu não posso fugir a manifestar a minha gratidão pelas palavras amigas e generosíssimas que foram ditas a meu respeito, mas encontro-me na situação difícil de agradecer com ar prazenteiro uma homenagem de que no mínimo descordo. À parte os Chefes do Estado, que têm, pelo relevo especial de suas pessoas e responsabilidades na condução dos povos, lugar sempre destacado na História, todos os mais que colaboram de uma ou outra forma no esforço colectivo da grei devem ficar sujeitos – nomes e obras – ao desgaste do tempo. E se, passados séculos, viverem ainda na memória dos homens, uma geração virá consagrar o que deixaram à Nação em nobreza, em bravura, em trabalho, em virtude, em exemplo, em acrescentamentos materiais ou morais, e é, na realidade, ainda uma parcela da sua vida na terra. Pois não estamos nós agora – a geração do sacrifício e do resgate – a saldar velhas dívidas, como as em aberto até ao nosso tempo para com o Infante D. Henrique, o Santo Condestável e D. João I, D. Dinis e o Príncipe Perfeito, D. João III e o Monarca da Restauração, e tantos outros, máximos obreiros da Pátria e da sua glória? Quero dizer que o Ministério das Obras Públicas se antecipou ousadamente ao juízo da História – quem sabe se um pouco desconfiado da sua justiça –, e por este lado não me deixa tranquilo acerca do mérito da causa. Mas nada há a fazer agora, pois que, tendo Leopoldo de Almeida esculpido no bronze e integrado na pedra da barragem a minha efígie, ficou o nome confiado ao respeito devido à obra de arte. (…)
Há mais de duas décadas, estudando economia em Coimbra, caiu-me nas mãos um livrinho sobre “O Problema da Água na Agricultura Portuguesa”, do Prof. Rui Mayer, que tantos anos depois reencontrei a saborear, traduzir e anotar com proficiência inexcedível de humanista e de agrónomo as “Geórgicas” de Virgílio. Nunca mais reli o pequeno volume, mas julgo não me enganar referindo que terminava, à laia de conclusão doutrinal, por este convite ou incitamento: A regar! A regar!
No espírito do rural que eu sou – de raiz, de sangue, de temperamento – apegado à terra, fonte de alegria e do alimento dos homens, aquelas expressões ficaram, pelo vincado da frase e a insistência da ideia, a ressoar pelos tempos fora, mesmo quando não previa que pudessem de qualquer modo implicar com decisões de governo. A regar! A regar!
A minha experiência de minúsculo agricultor a 300 quilómetros de distância e regularissimamente deficitária, contribuição com que pago a paixão da terra – há-as piores e mais caras –, deu-me, por outro lado, a compreensão fácil e vivida deste problema: o que é e pode ser a água na terra portuguesa.
Vivemos secularmente no País, salvo raríssimas excepções, conhecidas e anotadas, da água individual, digamos, em regime individualista na busca, na exploração, na utilização – água no geral precária, ao mesmo tempo desperdiçada e insuficiente e ainda irremediavelmente cara. Assim terá de continuar a ser em muitos casos, por fatalidade das circunstâncias, isto é, por não ser possível outra solução.
Mas onde o princípio comunitário possa aplicar-se, com a intervenção de meios financeiros e técnicos adequados, abrem-se horizontes incomparavelmente mais vastos à agricultura e conseguem-se resultados económicos ou sociais que, na pequena escala dos pequenos empreendimentos hidroagrícolas, se devem considerar inatingíveis. Coube a esta geração ter sentido as necessidades do seu tempo e sabido trabalhar nas grandes obras da rega.
Para nós, que não queremos ser escravos da riqueza mas entendemos dever trabalhar para que a riqueza sirva o homem, a água não há-de ser só o factor de produção mais abundante, mais certo e económico, mas, como disse o Sr. Ministro das Obras Públicas, a saúde da gente, a alegria e frescura da paisagem, o trabalho intenso, o sangue e vida da terra. Todos os que a este e outras obras semelhantes têm dedicado talento, vigílias e canseiras, desde os que as conceberam e orientaram até aos que com esforço do braço e o suor do rosto as fizeram surgir a desafiar os séculos, podem sentir a satisfação de que por sua indústria é possível haver desde agora mais pão e mais felicidade em Portugal.
E pois que os campos estão sedentos da inclemência do ano e o trabalho se concluiu, obedeçamos ao sábio incitamento, que é também o nosso anseio: A regar! A regar!


Florilégio de pensamentos- Algumas das Mais Belas Páginas de Salazar (46)

A Regar! A Regar! - Discursos, Vol. IV, págs. 397 e 400
Edições Panorama - Lisboa 1961

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