7 de março de 2026   


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NO CENTRO DA CULTURA PORTUGUESA DO ORIENTE
(Discurso proferido em Goa, no Instituto de Vasco da Gama, em 2 de Maio de 1952)

Agradeço, muito penhorado, as palavras especialmente favorecidas que a bondade e distinção do insigne Presidente do Instituto e a generosidade do ilustres consócio Correia Mendes, nas suas eloquentes orações, ditaram. Honraram-me Vossas Excelências elegendo-me sócio honorário desta preclara instituição de cultura portuguesa que na Índia floresce sintetizando a realidade mais forte de uma existência como Nação: a cultura.
Oliveira Martins, ao examinar os factores essenciais constitutivos duma nacionalidade, define a raça como sendo o mais ténue dos laços próprios para garantir a coesão independente de um povo. É o que a História do Mundo nos mostra e o que a nossa História exuberantemente exemplifica. Nem raça nem geografia.
A própria ancestralidade do condado donde todos recebemos o nome, revela a existência original de cruzamentos variados e intensos: celtas, romanos, godos, árabes, leoneses; o alargamento do povo português – pelas terras descobertas e a seguir povoadas ou pela doce integração de terras e gentes na mesma civilização – exclui completamente a ideia de raça ou de geografia. Gilberto Freire chega a chamar «espécie» à família portuguesa, como uma unidade psicológica e de cultura. A independência e a unidade são, pois, essencialmente, formação espiritual, aspirações comuns, cultura. Tem a cultura nesta casa o seu fulcro e por isso me honro sobremaneira de aqui vir e muito mais de a ela pertencer.
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Vieram os portugueses. povo em plena evolução e entusiasmo, túrgido de energias, ansioso de expandir as suas ideias, as suas crenças, o seu carácter, de repartir os seus dons morais. No rio doce e manso do espírito oriental incide agora uma torrente impetuosa que faz tumultuar as águas calmas, misturando-se com elas e dando-lhes nova estrutura molecular, nova riqueza, nova vitalidade. Mas este benéfico e vivificador encontro, realizado em todos os sectores da cultura, faz-se quase sempre sem que de parte a parte houvesse irredutibilidade. Mesmo dentro do aspecto religioso – em regra o mais sujeito às intransigências da época – verdadeiramente não houve sistemática perseguição às crenças antigas dos naturais, na medida em que se combateram outras religiões estranhas ou se verificaram intolerâncias na Europa ou entre os povos da Ásia.
Descobrir e missionar, sendo os princípios que que orientavam a expansão, tiveram pleno desenvolvimento na ansiosa curiosidade científica dos recém-chegados e na soma de conhecimentos por eles trazidos e no desejo de os difundir. Assim se operaram, e pelos processos mais humanos, largas transformações que a etnologia moderna classificaria como resultante dos chamados contactos culturais.
O que foi esse movimento, em profundidade e em extensão, não se pode tão cedo ajuizar. Psicologicamente, formaram-se na verdade novas massas espirituais, plenas de valores, que, abrindo novos horizontes à cultura no Oriente, vieram enriquecer e exaltar a própria cultura ocidental. Pode dizer-se que a transformação foi tão profunda, a modelação tão perfeita, que seria difícil, por vezes, distinguir o velho do novo. Foi tal que os novos chegaram a ensinar aos velhos. Isto é, ao mesmo tempo, prova da excelência da cultura, da excelência do instrumento que a vinculou, da excelência da massa que a assimilou. É esta a maior obra da cultura lusitana.
Nos domínios da investigação e da divulgação dos conhecimentos científicos de cá e de lá, das suas trocas, a tarefa realizada é colossal. Embora as novas colheitas históricas levem a supor que tudo, desde os primeiros passos em Ceuta até às fusões das raças do Oriente, foi fruto dum plano maduramente reflectido e sabiamente executado, custa a compreender como tão genial visão fosse levada a cabo por um homem ou um grupo de homens. Mais fácil seria admiti-lo como fruto das qualidades naturais de todo um povo, melhor diríamos da inspiração sobrenatural de um povo. De resto, não fora outra a origem atribuída às primeiras iniciativas da expansão de Além-Mar.
Seja como for, o trabalho realizado está muito longe de ser inteiramente conhecido. Só os vagares do tempo e a consciência dos homens poderão inventariar os serviços e fazer justiça ao povo mais minguado em número e que mais dilatado foi nas obras de expansão que realizou nas terras e, sobretudo, nos espíritos.
É deste último aspecto, justamente o fundamental – pois a Nação Portuguesa foi sempre e continua a ser uma força espiritual – que nesta casa se cuida.
Estamos aqui, em Goa, no centro da cultura portuguesa na Índia, que o mesmo é dizer no Oriente. E por este Instituto passaram dos mais ilustres expoentes do espírito moderno. Passaram a continuam a afluir. Mas não falemos naqueles que ainda nos acompanham. Nem nos outros, afinal, que tão numerosos seriam. Desde o grupo dos ilustres fundadores, cujos nomes estão presentes coroando os trabalhos desta agremiação – Visconde de S. Januário, Cunha Rivara e Tomás Ribeiro, passando por Cristóvão Bento, Garcez Palha, Floriano de Noronha, Constâncio Roque da Costa, Ismael Garcias e o ilustre Professor Wolfango da Silva, que tive o privilégio de ter como amigo, muito admirado amigo, mestre nas ciências e nas virtudes cívicas – quantos nomes cintilantes os arquivos desta douta instituição orgulhosamente registam!

(Continua)


AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA (07)

AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA – NO CENTRO DA CULTURA PORTUGUESA DO ORIENTE (Discurso proferido em Goa, no Instituto de Vasco da Gama em 2 de Maio de 1952) pelo Capitão de Mar e Guerra M. M. Sarmento Rodrigues - Ministério do Ultramar – 1954

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