TERCEIRA SABATINA
Sumário das perguntas, críticas e reservas, a que responde:
Porque devemos aprender a servir? Em que consiste o aperfeiçoamento da Comunidade? Romantismo político, económico, social? Vago programa de regeneração humana? Tem a Economia Corporativa força para mandar servir? A Economia deixa de ser a ciência da riqueza? É legítima a riqueza? Respeitam-se os valores morais da Nação? O capital é legítimo? A propriedade é legítima? O juro é legítimo? Porque não há-de ser livre o preço por que se oferece o trabalho? O abono de família justifica-se? Basta o Estado-Polícia? O Corporativismo é mais qualquer coisa do que um regime de corporações? Caridade esmola? Que é o Grémio mais que antiga associação de classe? Porque não há-de o homem chegar ao justo equilíbrio das suas tendências egoístas e altruístas? Que é servir?
39 – Leitor amigo, não te sentes farto da incompreensão de Todo o Mundo?
Não lamentas que a personificação daquele que afinal está connosco, com a nossa fé, com o nosso entusiasmo, seja tristemente a de Ninguém?...
Rompamos, pois, por um instante, com as personagens vicentinas; digamos mais chã, mais construtivamente e uma vez o que precisamos de aprender, de fixar, de ensinar, de meter nas cabeças dos outros, dos nossos amigos, dos nossos vizinhos, dos nossos distantes: Aprendamos, ensinemos a Servir.
E dizem-nos: não sirvas o bem apenas de um indivíduo, apenas duma família, mas o da Nação. E porquê? Afinal, vendo bem, quando se serve a valer o interesse da Nação, não apenas tu, não apenas eu, mas todos e cada um de nós, aparecemos automaticamente servidos também.
Sempre o mesmo aforismo: Onde todos dão, todos têm.
(Continua)
O CORPORATIVISMO PORTUGUÊS (35)
Cadernos Corporativos - Sabatinas com os Inimigos do Corporativismo, Claros e Ocultos, de Fora e de Dentro – TERCEIRA SABATINA – por António Ribeiro da Silva e Sousa (Sidónio Miguel). Edição do Sindicato Nacional dos Empregados de Escritório dos Serviços de Navegação – Lisboa - 1943