14 de fevereiro de 2026   


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NO PRIMEIRO SENADO DE GOA
(Discurso proferido na sessão solene, de 24 de Abril de 1952)

«A maior cousa destas partes». Assim se exprimia o Grande Capitão, o notável homem de Estado, ao apresentar ao seu soberano a maravilhosa e prometedora Goa. Era ela, no entender de Albuquerque, não apenas a pérola do Concão, mas seria o próprio coração da Índia. E assim foi. Berço dos mais ousados cometimentos da nossa História do Oriente – que o mesmo é dizer da nosso História Universal dos tempos modernos – a sua função foi a de uma verdadeira Metrópole transplantada do Ocidente e enriquecida pela integração dos novos e valiosos elementos que se lhe juntaram e ainda mais a ilustraram.
Não podemos hoje, a tantos séculos já dos dias de esplender e expansão, ajuizar bem do que foram os fastos e as misérias, a ousadia temerária e a embriaguez de glória e das grandes aventuras ou a humilde abnegação dos missionários e dos mártires. Tudo isto, grandeza e desgraça, violência e humildade, palácios, catedrais e choupanas, foi Goa.
Era, na verdade, a maior cousa destas partes.
À velha Goa, nas amargas vicissitudes da vida – das cidades como dos homens – sobreveio a decadência. Apenas o seu espírito se preservou e incarna ainda nos seus nobres templos, onde se guarda a mais preciosa relíquia do espírito missionário português.
Sucedeu-lhe a nova cidade de Goa, sem dúvida mais favorecida na sua posição à beira-mar, engastada num cenário de rara beleza, rodeada de colinas que se debruçam sobre pequenas planícies orladas de palmeiras, definindo praias onde o m ar se quebra docemente. Os seus habitantes, no trato afável, reflectem a amenidade da paisagem numa obediência perfeita às mais harmoniosas leis da natureza.
Tardes serenas, povo acolhedor, doçura de viver – eis como falam as reminiscências que atravessaram os meus últimos afadigados 27 anos de vida.
Vejo-a como a deixei, mais jovem talvez, nas ruas bem pavimentadas e nas casas modernas, renovada no seu aspecto e melhor no seu conforto. Mas gostaria de sabê-la ainda tão hospitaleira e fraternal como a conheci, como quando nela cuidava estar perto do meu lar.
O peso da História não pode esmagar-nos. Nem o encanto das paisagens nos há-de tornar contemplativos e inertes. Por isso esta cidade, com o seu Município, tem dado os mais claros sinais de que História e Beleza lhe servirão antes de apoio para melhor enquadrar a sua vida progressiva. É este caminho que deveremos agora seguir.
A par da preservação do património histórico e artístico, sem destruir os panoramas ou os dons naturais, haverá que meter ombros aos novos empreendimentos que tão necessários se tornam, como as águas e saneamento, as melhores ligações com o resto do território, os edifícios públicos – sejam escolares, desportivos ou outros – e tantas iniciativas que permitam entrar em novo era de prosperidade e bem-estar.
Tudo isto não poderá o Município realizar sozinho, mas estou certo de que o há-de conseguir com o apoio do Governo Geral e com a compreensão e colaboração dos seus munícipes. Todos hão-de aceitar que para a realização de obras de envergadura, daquelas que dizem respeito ao superior interesse do conjunto, haverá que sacrificar preferências ou pequenas conveniências individuais e ajudar com o seu esforço, ou pelo menos com o seu aplauso os que abnegadamente se dispõem a servir a causa pública e que, sem proveito ou recompensa, abandonaram o sossego da sua vida privada na defesa de aspirações que são de todos.
Muitos projectos não logram realização, apesar de toda a gente os considerar indispensáveis, devido à falta de compreensão de muito, às vaidades insatisfeitas, a egoísmos que não devem ter lugar quando se trata da salus populi.
Goa bem merece a dedicação dos seus filhos
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Quero agradecer-lhes, muito sentidamente, todas as carinhosas atenções e palavras, a que não saberia responder senão dizendo-lhes aquilo que todos sabem: da minha indefectível afeição a Goa.
No dia emocionante que estou vivendo – parece que poderia dizer «que todos estamos vivendo» – esta formosa cidade e o seu Primeiro Senado marcaram lugar de destaque nas impressões que recolho. Na sua heráldica de privilégios e grandezas, herdados de outras cidades e outros castelos; na sedução aliciante do maravilhoso cenário indiano onde a arquitectura portuguesa vive a par da sua irmã oriental ou com ela se entrelaça numa resultante encantadora; no entusiasmo e na fé das seus moradores – ela, a «nobre e sempre leal cidade» sabe venerar o passado e afirma a sua esplêndida confiança no futuro.
«Não somos só porque somos, nem vivemos só por ter vivido; vivemos para bem desempenhar a nossa missão e perante o mundo afirmamos o direito de cumpri-la». Eis o que o cintilante e exacto espírito de Salazar nos ensina; eis o princípio que nos compete observar.
Cidadão de Goa – como por bondade vossa e para honra minha me quiseste proclamar – não posso, nem podia, encerrar as minhas breves palavras nesta ilustre casa sem evocar a prestigiosa figura do mais alto magistrado da Nação, Sua Excelência o Presidente Craveiro Lopes, que aqui devotamente trabalhou no engrandecimento do Município. E, se este facto constitui para ele motivo da mais agradável recordação, para nós todos, e sobretudo neste momento, é um dever e uma grande honra lembrá-lo e com orgulho. Por isso lhe endereço, em sincera homenagem, as minhas mais respeitosas saudações.

(Fim)


AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA (04)

AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA – NO PRIMEIRO SENADO DE GOA (Discurso proferido na sessão solene, de 24 de Abril de 1952) pelo Capitão de Mar e Guerra M. M. Sarmento Rodrigues - Ministério do Ultramar – 1954

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Carlos Luz


Digo-o sempre em sua honra e memória: Parabéns ao Dr. Salazar, um grande chefe de estado!

Nelson


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