20 de janeiro de 2019   


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Ignoro donde venha a curiosidade de saber como trabalham os poetas e os escritores; todos a sentimos, pelo menos relativamente àqueles que mais nos dominam a inteligência ou tocam o coração. Serão dotados de uma espécie de dom divino de improvisação, dando origem, como num acto de criação perfeita, à obra de arte que lhes brota da pena como da terra a água das fontes? Trabalharão pelo método de aproximações sucessivas, como o estatuário que vai pouco a pouco, no bloco pouco menos de informe, trabalhando, retocando, aperfeiçoando com paciência infinita até à forma definitiva? Entre os grande criadores da beleza no mundo devem encontrar-se os representantes de todos os sistemas e de todas as gradações, e porventura a pergunta se deveria fazer não em relação escritor mas às suas obras, tanto devem ter diferido duma para outra as condições de trabalho e de realização.
Não deve ser verdade que todas as páginas de um autor tenham da mesma forma saído perfeitas ou sofrido emendas, tenham sido criação dolorosa ou fruto espontâneo da sua inteligência e sensibilidade. A disposição do momento, o assunto, preocupações alheias a este, o tom em que se escreve – os músicos compositores sabem com certeza o que isso é – fazem variar a dificuldade da produção e o seu rendimento, deixam até por vezes a sua marca na obra literária.
E como trabalharão os oradores?
Há os que improvisam a matéria e a forma; há os que estudam o assunto, pormenorizam e ordenam as ideias, trabalham cuidadosamente os passos fundamentais e de maior responsabilidade e deixam à improvisação do momento vestir e adornar o resto; há os que preparam todo o trabalho – o assunto, a forma, a exposição; e há ainda o quarto grupo dos estudam em casa e improvisam na tribuna. Este é o mais numeroso.
António Cândido não decorava; estudava, compunha de cor os seus discursos e escrevia depois de os ter proferido. Deve ser caso raro; a maior parte ou os escrevem antes inteiramente ou fixam apenas os tópicos fundamentais: a estes a influência directa da multidão, a reacção do auditório auxilia-os, quase se diria lhes ajuda a fazer o discurso. Pelo que me toca, e desculpando-se-me por instantes o abuso da camaradagem, depois de ter experimentado tudo, escolhi, como era de razão, o processo mais económico – penso, escrevo e leio.


Florilégio de pensamentos- Algumas das Mais Belas Páginas de Salazar (13)

Como trabalham os poetas e os escritores – Discursos, Vol. I, págs. LIX a LX
Edições Panorama - Lisboa 1961

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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