21 de março de 2026   


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HISTÓRIA COMUM, IDEIAS COMUNS
(Discurso proferido no banquete oferecido pelo Governador-Geral do Estado da Índia, em 4 de Maio de 1952, no Palácio do Cabo)

Senhor Governador-Geral:

As palavras que V. Ex.ª acaba de me dirigir somam-se, reforçando-as liberalmente, às que já anteriormente me tinham sido endereçadas e às provas de acolhimento que larga, contínua e profusamente me foram dispensadas.
Bem se poderá dizer que a Índia aguardava este momento em que a Mãe-Pátria lhe enviava um extremoso abraço para lho retribuir com todo o fervor que uma saudade de séculos acalentara. Por toda a parte me tenho visto rodeado das manifestações mais carinhosas e sensibilizadoras. Vejo nisto não só o alto civismo geral e a grande cordialidade e distinção das classes cultas, como ainda a extraordinária intuição da gente simples, que perscruta a verdade mesmo no próprio seio das trevas. Quantas vezes, ao considerar a atitude do povo Português perante graves problemas, de política internacional, que parecia estarem inacessíveis à sua minguada compreensão, e ao ver como, com um sentido exacto das mais transcendentes conveniências nacionais, se coloca do lado da razão, eu tenho meditado nos tesouros de inteligência, compreensão e humanidade que se contêm no espírito da nossa gente! E ao observar agora a forma como a massa anónima de Goa, de Damão e de Dio sente e compreende que estamos todos, os portugueses de todo o Mundo, num momento de afirmação e fortalecimento dos laços familiares, e se manifesta em gestos espontâneos e de simpatia fraternal insofismável, eu sinto a própria voz da História que consagra, após quase meio milénio de canseiras, sofrimentos, abnegações e glórias, a intenção generosa de um povo que se formou, cresceu a aglutinou duma forma rara e única no conceito geral da Nações.
Formámos a nacionalidade fundindo as gentes mais várias e as civilizações mais diversas, fazendo sobressair os valore dominantes e sublimando-os. Integração e sublimação. E assim forjámos uma pátria una e indissolúvel, forte de irradiação, de humanidade e de civilização, foco de luz, braços abertos em permanente acolhimento.
O amplexo que trouxeram à Índia os primeiros navegadores, não caiu em terra estéril, nem em almas agrestes. Fortificou na mais bela obra de compreensão humana que se poderia presenciar. É a própria afabilidade de todo o povo português que aqui se nos depara.
Com a lembrança bem viva de afectos aqui cimentados, não precisaria de vir cá para ter a Índia presente nos meus cuidados. Nem eu, nem o Governo, nem a Nação. Podemos ter como certo que Portugal inteiro, desde o Minho a Timor, estremece esta gloriosa província do Índico, aquela para onde primeiro transplantou o seu poder original de irradiação civilizadora; aquela que primeiro acompanhou a Mãe-Pátria, e com ela se identificou, na realização de uma obra comum, desenvolvendo e fazendo expandir a cultura portuguesa em África e na própria Europa, sem falar nas regiões do Oriente.
Daqui saíram os pioneiros, os missionários, os navegadores, os cientistas, os mercadores, no alargamento de uma nova cruzada que havia de suavemente subjugar corações de povos que se entrincheiravam atrás de muralhas milenárias e impenetráveis, a coberto de religiões fechadas ou culturas cristalizadas, no interior das terras e das florestas ou no dédalo polinésio dos mares orientais. A toda a parte chegaram, agora já amalgamados, os portugueses da Índia e da Europa, ramos já do mesmo tronco comum. Assim se continuou a expansão, assim se fez a história portuguesa, assim se enobreceu o povo português da Índia. História comum, ideais comuns.
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Senhor Governador-Geral. Temos, V. Ex.ª e eu, a satisfação de servir o Estado num período de vida excepcionalmente benéfico. Graças à prudência e sagacidade dos nossos governantes, às severas normas intransigentemente seguidas, à envergadura sem par dum Chefe de Governo que sacrificou inteiramente a sua vida e ofereceu todos os recursos do seu génio em holocausto à nossa Pátria, podemos sentir-nos orgulhosos de pertencer ao número dos servidores da Nação.
Teve V. Ex.ª a oportunidade de governar o Estado da Índia e de timonar a sua administração num período de grandes perturbações. E pôde V. Ex.ª apreciar como nos dias mais difíceis para a Índia Portuguesa, reflexo da situação conturbada do Mundo, nunca lhe faltou o apoio decidido, firme e eficaz do Governo Central, nem o concurso de outras províncias ultramarinas, resolvendo assim problemas económicos e de outra natureza que sobrevieram. Presenciamos todos como a estrutura nacional serenamente se afirmou. Ora, tudo isto é motivo de regozijo, é grande motivo de confiança, é grande razão para encarar o futuro, não só com optimismo, mas com verdadeiro entusiasmo.
Tenho sentido o maior interesse em conhecer de visu os progressos levados a cabo nos últimos tempos e que sabia serem muitos e importantes; e de ver como o povo do Estado da Índia tem a consciência da sua posição privilegiada, que lhe tem permitido atravessar períodos que para o geral do Mundo se acercaram de catástrofe e que para ele não acarretaram mais do que um estremecimento.
É pelas prosperidades de V. Ex.ª, Sr. Governador-Geral, e pelo povo que superiormente governa, que levanto hoje a minha taça.


AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA (09)

AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA – HISTÓRIA COMUM, IDEIAS COMUNS (Discurso proferido no banquete oferecido pelo Governador-Geral do Estado da Índia em 4 de Maio de 1952, no Palácio do Cabo) pelo Capitão de Mar e Guerra M. M. Sarmento Rodrigues - Ministério do Ultramar – 1954

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Carlos Luz


Digo-o sempre em sua honra e memória: Parabéns ao Dr. Salazar, um grande chefe de estado!

Nelson


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