15 de dezembro de 2019   
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Nós afirmamos o seguinte: Goa encontra-se ligada, sentimental e patrioticamente, a Portugal, e os Goeses não têm mostrado preferir a recente soberania indiana à do velho País que teve, pelo menos, o mérito de, em recuados tempos, abrir a Índia aos caminhos marítimos do mundo e pô-la em contacto com a civilização ocidental. Do lado oposto afirma-se que, se Goa não se tem levantado a favor da sua integração na União Indiana, é que não tem liberdade para isso.
Decido não fugir ao argumento e respondo.
É perfeitamente exacto que no Estado Português da Índia não podem os cidadãos portugueses, sem incorrer em responsabilidade, manifestar publicamente preferência à União Indiana e agir em conformidade com qualquer intento desse género. É assim em Goa; é assim em Portugal inteiro; é assim em todo o mundo, porque a cidadania não é objecto de escolha, mas dever natural que cada um não pode libertar-se à sua vontade, negando a pátria. É assim também na União Indiana, com a estranha agravante de, ao contrário do admitido nos povos civilizados, não poderem os goeses ali manifestar sem risco o seu desejo de que continue portuguesa a sua terra.
Este o direito ou a negação dele; mas os factos, só os factos, também não permitem a dedução de que os goeses escolheriam como seu futuro a anexação de Goa à União Indiana. Há goeses em território português, há goeses em território da União, e muitos sob outras soberanias que não podemos influenciar. E o comportamento da grande massa, por toda a parte, é idêntico –De fidelidade à Nação Portuguesa. Nem as pressões materiais e morais exercidas na mesma União Indiana, nem as mil formas de captação ao aliciamento que estão sendo usadas fora dela – Como no Quénia, no Tanganica, no Paquistão – têm conseguido demover estes portugueses de confessar o seu portuguesismo. Eu quero deixar aqui uma palavra de comovida admiração pela fidelidade patriótica de que têm dado provas, por vezes em bem difíceis circunstâncias, tantos homens, a muitos dos quais Portugal dá a penas a honra de um nome e o prestígio de uma História. A atitude destes homens permite-me reduzir a nada a importância do argumento da União de que não há em Goa liberdade para que os goeses se manifestem a seu favor. Mas há essa liberdade na União Indiana, e esta não tem sido suficiente para converter à sua causa a centena de milhares de goeses que aí angariam a vida.


Florilégio de pensamentos- Algumas das Mais Belas Páginas de Salazar (56)

A honra de um nome e o prestígio de uma História - Discursos, Vol. V, págs. 237 e 239
Edições Panorama - Lisboa 1961

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