24 de junho de 2017   


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(Continuação)

Mas o essencial não muda. É por isso que sempre me pareceram um pouco superficiais as designações de antiga e moderna educação. Não há educações antigas nem modernas: há e houve sempre boas e más educações.
Tive ocasião de observar de perto, através de muitos e curiosos documentos, uma excelente, uma inteligente e equilibrada educação cristã de há cem anos. E confesso que não notei nada que não pudesse hoje ser praticado com êxito, se excluirmos a parte propriamente instrutiva do programa. Refiro-me à educação dos filhos da Rainha D. Maria II, educação que ficou como padrão e exemplo, pela ternura aliada à disciplina, pelo sentido profundo de solidariedade familiar, pela exigência cristã de verdade e perfeição em tudo, pela prática da humildade aliada à dignidade.
Alguns aspectos das educações de outros tempos chocam e horrorizam os pedagogos modernos. É certo que alguns métodos se alteraram, caíram em desuso e foram substituídos, mas isso é do domínio da técnica, a que há pouco me referi. Porque na essência a verdadeira educação cristã é a mesma.
Insisto uma vez mais: o que se modificou foram as condições, a atmosfera moral e social em que o educador cristão tem de actuar. Ele está muito mais só, muito menos amparado pelas instituições e pelos costumes; o próprio senso comum é hoje abertamente contra muitos dos princípios que ele entende dever fazer respeitar. Contra isto é necessário estar prevenido. Hic et nunc, aqui e agora, neste lugar e neste tempo é que temos de realizar o nosso programa, válido para a Eternidade. Não devemos realizar fora do tempo e do espaço a nossa função, abstraindo do que se passa à nossa volta. Não devemos e em geral não podemos, a realidade da nossa época solicita-nos, compromete-nos. Temos de estar alerta, para não nos deixarmos envolver na onda.
Um dos aspectos relativos à educação em que logo se faz sentir esta necessidade de estar prevenido e atento é no que diz respeito à situação gravíssima da mulher no mundo moderno. Ser hoje mulher exige mais atenção, mais aguda consciência das realidades, do que em qualquer outra época. Ser mulher é ser potencialmente esposa e mãe. E como a sociedade se está cada vez mais organizando sem tomar em linha de conta essa realidade tão elementar, como, na vida profissional, já quase se não distingue entre os dois sexos, é necessário que a mulher destinada a ser mãe esteja vigilante, e comece, desde cedo, a defender-se contra a masculinização progressiva que lhe impõe o seu tempo. Não me refiro tanto a pequenos hábitos exteriores, como às disposições que o seu espírito vai tomando: a impossibilidade de estar em casa, de se ocupar das coisas domésticas, de se privar do convívio constante e do movimento e bulício das ruas e lugares públicos; a desatenção progressiva pelos que partilham com ela a vida de família, e que tendem a tornar-se a seus olhos meros companheiros na hora das refeições (mesmo essas, quantas tomadas hoje à pressa, no restaurante ou na cantina, sozinha ou com os colegas acidentais d trabalho...)
Para a mulher que por necessidade absoluta ou por simples fatalidade de época se vê lançada numa profissão, o casamento deve constituir hoje um sério um gravíssimo problema de consciência. Um dos espectáculos que mais assustam e afligem é o da leviandade com que muitas mulheres nestas circunstâncias constituem família. Casa-se hoje muita gente na ilusão cega de que tudo vai continuar como dantes. E não é verdade. O casamento deve trazer, tem de trazer uma séria e profunda alteração na vida. Não é a associação de duas pessoas que resolvem viver juntas porque isso lhes parece agradável ou vantajoso: é o princípio de uma nova era, o lançamento da primeira pedra num edifício que nunca está completamente construído...
Os hábitos da mulher solteira empregada, hábitos de independência e de diversão frequente, por exemplo, acabam ou devem acabar naquele momento. Passar seis horas diárias no emprego e ser ao mesmo tempo esposa e mãe é empresa que exige, para ser levada a bom termo, uma dose de renúncia e sacrifício com que a maior parte das raparigas não conta, ao visionar o quadro do seu viver futuro.
Porque a mãe, para o ser deveras, a mãe educadora, a mãe centro da casa, coração da família, é, antes de mais nada, uma presença efectiva e actuante. Logo que há filhos, é preciso estar presente. Esse é o princípio mais importante para evitar a desagregação da família a que o nosso tempo desgraçadamente assiste. Era mais cómodo, era até mais divertido fazer o almoço a dois, no restaurante alegre da Baixa. Mas os filhos ficariam, sozinhos com a criada. E então é preciso tomar o autocarro cheio, correr a casa entre duas facturas ou duas aulas, dar ainda o último retoque na mesa, improvisar um doce, fazer comer a sopa ao menino fastiento que não se entende com a criada e depois, quase sem tempo para arranjar o cabelo, voltar a assinar o ponto das duas e mergulhar de novo no mundo dos números ou das letras, de que já nos íamos desligando. Tentar esquecer a constipação do bebé para não errar as contas; não pensar no mau humor do marido para não engatar a carta que se tem de

(Continua…)


O Problema da Educação (35)

Reflexões sobre o papel da mãe no mundo moderno, por Ester de Lemos - 1960

Estas palavras foram lidas pela primeira vez, a convite da Organização das Mães pela Educação Nacional (O. M. E. N.), durante as comemorações da semana da mãe, em 13 de Dezembro de 1959, no salão de festas do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho.
E repetidas, a convite da M. P. F., no Teatro do Palácio Foz, em 10 de Fevereiro de 1960.

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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