14 de novembro de 2019   
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Não há certamemte o propósito de desviar seja quem for de passar horas de repouso em sua casa, se o deseja; mas sim o de substituir à fatal dispersão por lugares das mais variadas frequências um sítio agradável de reunião de camaradas - para a conversação, a leitura, as distracções indispensáveis a quem tem, como os militares devem ter, vida absorvente de trabalho, e por cima do trabalho graves preocupações. O nosso conceito de vida séria não exige o ar carrancudo, a disposição fúnebre, o espírito em luta com a tragédia. Mesmo que a vida seja dura - e é-o para toda a gente nesta hora - não se pretende senão que as coisas sérias sejam tratadas com seriedade, e mais nada. À saúde física e moral, ao pleno rendimento da máquina humana são necessários o descanso, aliás tão regrado como o trabalho, a boa disposição e, se é possível a alegria e o riso. Sejam quais forem as dificuldades a vencer, as dúvidas acerca dos resultados, é preciso o optimismo na acção; mal se imagina como este, quando não é desprovido de senso - e então não se chama assim - multiplica a energia dos homens.
A profissão das armas ou, pois que me repugna chamar-lhe profissão, a missão militar faz dos que se lhe entregam, pela proximidade dos perigos e estreita solidariedade de acção, verdadeiros irmãos; e, quando tal se considera, falar de família - ainda que o nome tenha sido muitas vezes empregado sem a mesma nobreza s elevação - é traduzir uma realidade. Pois bem: entende-se que esta casa pode, através de mais íntima convivência entre oficiais das diversas armas e patentes, facilitar o conhecimento mútuo, a troca de ideias, o apreço recíproco e contribuir para a existência de bom ambiente moral na família militar.
Aqui não deve haver lugar para a maledicência, que é a falsificação da crítica e do recto juízo dos homens e das coisas; nem para o derrotismo, que é a desculpa dos covardes; nem para a jactância, que é o arremedo da valentia. Os tempos vão muito maus e se não temos no presents os perigosos deveres da guerra, temos deveres de paz, não menos árduos, a cumprir. Direi mesmo obrigações que são mais difíceis na paz, sem a excitação e a embriaguez das batalhas, e uma delas é estar sempre pronto - pronto a cumprir, o que pode querer dizer pronto a morrer. É muito duro isso, mas a honra, a dignidade, a independência não se mantêm por menor preço, e é através desses conceitos que a vida pode ter elevação e beleza.

Florilégio de pensamentos- Algumas das Mais Belas Páginas de Salazar (29)

Estar sempre pronto – Discursos, Vol. III, págs. 248 a 250
Edições Panorama - Lisboa 1961

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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