29 de maio de 2017   
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A época que estamos vivendo, e o conflito mundial terá mais fortemente vincado, decorrerá sob o tríplice signo da autoridade, do trabalho e da preocupação social. Pode haver — e certamente se imporão de acordo com a diferenciação de condições — modalidades ou processos diversos; mas por toda a parte em que se possa dizer que estamos em terra civilizada e cristã as instituições oferecerão parecenças flagrantes e se basearão em princípios morais idênticos. Nenhuma nação se poderá eximir à autoridade forte; nenhum homem ao dever do trabalho; nenhuma actividade ou riqueza ao critério da sua utilidade social. Nisso estaremos todos por qualquer modo de acordo. Em que o não estaremos? Em tudo quanto porventura desconheça a natureza do homem, o sentido da vida, os ensinamentos da História, embora pela visão unilateral de qualquer princípio tenha parecido exacto, ou justo, ou útil.
Nós, por exemplo, não poderíamos aceitar que a hipertrofia da autoridade desconhecesse os direitos da consciência; nem que o Estado absorvesse toda a vida da nação e os agrupamentos naturais que defendem a própria vida e a actividade dos homens; nem que as necessidades económicas sejam o princípio básico de organização das nações ou da sociedade internacional; nem que a iniciativa individual desapareça como órgão propulsor da actividade social e passe para a autoridade pública toda a iniciativa, toda a riqueza e todo o comando da vida em sociedade.
Estas restrições, aparentemente tão simples mas tão essenciais que por elas e contra elas parecem bater-se muitos homens, traduzem precisamente um dos traços dominantes das instituições portuguesas: se a elas me referi foi apenas para acrescentar uma razão mais às que vinha dando sobre a independência do regime em relação ao fenómeno da guerra mundial. Nós não podíamos nem ousamos, por nossa modéstia e fraca autoridade, apresentar-nos como exemplo; trabalhamos apenas de espírito isento, sem esquecer o que há de permanente e imutável no homem, e com os olhos nas experiências passadas e nas necessidades de hoje. E parece-nos ter encontrado, para nosso uso ao menos, aquela humana linha média aonde convergem as necessidades fundamentais da vida social e as aspirações do nosso tempo.


A Restauração das Grandes Certezas: DEUS, A PÁTRIA, A AUTORIDADE, A FAMÍLIA, O TRABALHO (14)

(«Defesa económica — Defesa moral — Defesa política» — Ao microfone da E. N., em 25 de Junho — «Discursos», Vol. III, págs. 349-350) - 1942

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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