22 de outubro de 2017   
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(Continuação)

Felizmente que a certa altura houve um Ministro que volveu os seus olhos para este estado miserando, e se apaixonou pela ideia bendita de resgatar tantos erros acumulados no decorrer de séculos. Felizmente ainda, que encontrou no actual Chefe de Governo, sempre pronto a acarinhar com desvelo todas as manifestações do espírito tendentes a avigorar a nossa fé nos destinos da raça, o necessário apoio moral e material. E mãos à obra! Em menos de dois anos o Castelo de Lisboa reapareceu em toda a sua imponência e pôde ser já no período áureo das Comemorações dos Centenários, um motivo grandioso para uma das cerimónias mais entusiásticas que então se realizaram. A nossa mente revive a ramagem que aqui veio, em que se misturaram o clero, nobreza e povo, amalgamados no mesmo espírito patriótico e de devoção, por aqueles que a golpes de montante aqui entraram oito séculos antes, ardendo no fervor de criar uma nova nacionalidade.
Mais dois anos decorridos aqui estamos nós de novo, e podemos verificar com os nossos próprios olhos que não foram tempo perdido para esta obra de ressurgimento dum dos mais valiosos padrões da nossa história. O Governo considera-a por sua parte concluído tanto quanto pode dizer-se de uma obra desta natureza — e vem entregá-la à Cidade, para que vele com aprumo e carinho pela sua conservação, e usufrua os benefícios que lhe proporciona esta situação, inigualável sobre o estuário do nosso Tejo.
Termina assim a primeira das épocas a que me referi de início, época calamitosa em que foi possível aos desvairos da gente portuguesa cometer os desacatos de que estes sítios foram alvo. Reparar os estragos feitos e fazer ressurgir da sua miséria este precioso monumento tiveram ao menos o mérito de demonstrar que o Governo da Nação, na sua obra renovadora, visa simultaneamente a criar, desenvolver e fortalecer o culto pelas manifestações do espírito, e a preparar-nos paro melhor apreciar e venerar as relíquias de um passado glorioso que nos enche de orgulho e nos deve servir de exemplo para o futuro. E a esse respeito, a obra de restauro dos nossos monumentos que tem levado a cabo, constitui desmentido vivo a quaisquer pretensas influências de orientação puramente materialista que, infelizmente, estão hoje na ordem do dia por esse mundo fora. Vai iniciar-se uma nova época na vida deste Castelo. O Governo, cônscio de ter favorecido a criação do clima espiritual necessário para desde agora manter no decorrer dos tempos este lugar glorioso a bom recato dos vandalismos do homem, escolheu a Câmara de Lisboa para lho entregar. A escolha significa uma honra que ela aceita reconhecida, em nome dos seus munícipes, e confiança em que saberá conservar pelo menos como se lhe entrega, esta acrópole da Nação, defendendo-a de tudo quanto tenda a amesquinhá-la.
A Câmara tem bem consciência das responsabilidades que assume, mas não hesito em as tomar, na intenção, como sempre, de servir os interesses da cidade e com eles os da Nação. Confiada justamente no clima a que aludi, procurará honrar o seu mandato, desenvolvendo nos lisboetas o culto, a devoção e o respeito por estas velhas pedras, e cuidará de ensinar ou rememorar o seu significado e ligações com os altos feitos da nossa história, para contribuir, assim, pela sua parte, para a obra de Espírito do Estado Novo. Ao mesmo tempo velará por que o amplexo brutal que ia estrangulando o Castelo, não possa renascer das cinzas do passado, pois cortará cerces, ao menor indício, todas as manifestações que por ventura surjam, daqueles instintos que originaram a triste situação de outrora. Mas o Governo fez mais: associou a esta grata tarefa a Legião Portuguesa, para que com a Câmara partilhe na guarda deste padrão do nosso património. Fê-lo não só porque entendeu seguramente que um tal objectivo cabe bem dentro das missões patrióticas atribuídas à Legião, como também porque confia — e bem fundadamente — que esta colaboração será fecunda em resultados. E, como sempre, o Governo não se enganou: Câmara e Legião eram já colaboradoras afectuosas numa outra obra de alto interesse social, onde têm demonstrado à evidência espírito de cooperação, pura isenção e o maior desejo de bem servir. O exemplo vai certamente frutificar nesta outra que hoje se inicia; com ele se dará satisfação aos intuitos que o Governo teve em mente ao associar as duas entidades em tão honrosa missão. Para terminar, desejo manifestar mais uma vez ao Governo o reconhecimento do Município de Lisboa pela honra que traduz este acto da sua confiança e garantir igualmente em nome dele, à Junta Central da Legião, não só o agrado com que encara esta colaboração como também a certeza de que ao traduzi-la em realidade será sempre guiada pelo espírito de bem servir e pela maior das isenções em tudo o que respeita à «Vã glória de mandar».

(Parte 2 – final)


A Legião Portuguesa (16)

Legião Portuguesa: Expressão da Consciência Moral da Nação!
Trigésimo aniversário da Legião Portuguesa, 1936 – 1966, no quadragésimo ano da Revolução Nacional.

Entrega do Castelo de S. Jorge à guarda da Legião Portuguesa (Parte 2)

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