27 de junho de 2017   
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(Continuação)

Atingido um certo grau de prosperidade financeira, a acção do Governo logo se traduziu em múltiplos benefícios. Vimos realizadas obras que julgávamos impossível que se pudessem levar a cabo em nossas vidas. Assistimos à reparação das estradas, à restauração dos nossos principais monumentos históricos, à construção de tantos novos e esplêndidos edifícios, à execução de obras monumentais e a tantos outros progressos materiais que é escusado enumerar. A obra colossal prosseguiu e prossegue com um método admirável. Presenciamos agora a construção em larga escala de escolas primárias, de que o país carecia há dezenas de anos, a abertura de instalações condignas dos nossos serviços postais, uma verdadeira profusão de melhoramentos locais. Todo esse belo conjunto mudou verdadeiramente o aspecto do país e fez subir as suas condições de produção.
Não menos notável foi a melhoria do nível de vida das classes trabalhadoras. Decerto elas não foram sujeitas para isso à tirania despótica e sombria dos que se dizem seus representantes e defensores. Dentro da felicidade independente da sua vida individual e doméstica receberam mais altas remunerações e numerosas garantias, entre as quais avulta a segurança da reforma para os velhos e inválidos, para que, nesta hora feliz, estamos caminhando abertamente. Creio que em nenhum período da nossa história se fez tanto em tão pouco tempo em favor dos que trabalham. E tudo se conseguiu sem as violências que arruínam os seus autores e o país, sem atritos pessoais, apenas com as hesitações inerentes a uma política nova que pouco a pouco se dissipam.
A obra material completou-se com a obra de aperfeiçoamento moral. Procurou-se imprimir à administração um cunho de honestidade, que de certo modo reflecte as virtudes pessoais de quem a ela superiormente preside. Houve da parte de muitos serventuários do Estado um desejo sincero de colaborar, de contribuir para o progresso da Nação, um entusiasmo sincero que lhes fez esquecer até a modéstia das suas remunerações. A acção religiosa pode expandir-se livremente, disseminando os seus ensinamentos de alta moralização e restituindo ao seu pendor natural a alma nacional, católica por essência.
Como sempre, o factor material influiu no factor moral. Passámos a ter um maior orgulho nacional, começámos a honrar-nos com a nossa qualidade de portugueses e a sentirmos os deveres que nos impunha a nossa ligação a uma Pátria, que já se não envergonhava de si própria.
Restaurado o país internamente, no seu aspecto material e moral, passou a gozar externamente de legítima consideração. Para o campo externo derivou o Dr. Salazar a sua atenção num período de graves dificuldades e perigos, que o país teve de atravessar.
Poupou-nos, é certo, a Providência. Mas não podemos deixar de encarecer a acção devotada do então Ministro dos Negócios Estrangeiros, a sua solicitude constante, o seu árduo esforço durante anos, a sua permanente inquietação, para conseguir salvar a Pátria do torvelinho fatal, em que foram precipitados e dilacerados quase todos os países da Europa.
O êxito coroou tão desvelado esforço e o país saiu do conflito mundial, em que teve a felicidade de não tomar parte, acreditado em todo o mundo, gozando da consideração geral, respeitado por todos e mesmo atraente para os seus visitantes, que nele se sentem encantados. No campo do turismo quase se pode dizer que Portugal está à moda.
Podemos enfileirar hoje com altivez e dignidade no areópago das nações, sabedores do que valemos e conscientes dos nossos sentimentos de ordem e de paz, que podem servir de exemplo a tantos países.
Há, na consciência de todos os portugueses, não dementados por falsas paixões políticas, o reconhecimento destas verdades. Praticamos a frase de Vinet: «aceitar uma autoridade é um acto de liberdade». E vemos, em múltiplos aspectos, os resultados do engrandecimento nacional. Vinte anos de persistente esforço levaram a esse triunfo magnífico. Em todos nós parece nascer uma noção nova da Pátria, que nos orgulha e nos incita a novos e desvelados esforços.
A propósito de Napoleão escreveu Taine: «Quando se quer explicar uma construção, é preciso ter em vista as suas circunstâncias, quer dizer as dificuldades e os meios, a espécie e a qualidade dos materiais disponíveis, o momento, a ocasião, a urgência; mas importa ainda mais considerar o génio e o gosto do arquitecto, principalmente se ele é o proprietário, se constrói para ele habitar, se, uma vez instalado, apropria cuidadosamente a casa ao seu modo de viver, às suas necessidades e ao seu serviço».
Assim, entre nós, a construção grandiosa de Portugal contemporâneo foi obra portentosa dum homem, que vive retirado e quase invisível, na modéstia do seu teor de existência, sentinela vigilante dos destinos da nação. Venceu todas as dificuldades, das quais houve algumas externas verdadeiramente temerosas, e a todos os seus concidadãos permitiu gozar da sua obra magnífica. Salazar foi talvez um dos que menos lucraram com ela, nem ao menos granjeando maior descanso, pois em toda a sua vida continua o mesmo portentoso esforço. Para esse homem, que imolou a bem da Pátria todos os prazeres da existência, que na sua vida quase ascética teve tantas horas de amarga ansiedade e tão poucas de felicidade, deve ir a nossa gratidão sincera de portugueses.
Ele é já, sem dúvida, uma grande figura histórica, mas nem carecemos de esperar pelo testemunho remoto dos futuros historiadores.
As proporções dessa figura têm a dimensão bastante para que ela seja apreciada e louvada pelos seus contemporâneos. Bem justo é que todos se unam numa calorosa homenagem ao grande chefe que a Providência lhes deu, a esse homem insigne entre os maiores, ao Doutor Oliveira Salazar!

(Fim)

SALAZAR - testemunhos... (18)

Discurso proferido por Rui Ulrich, professor catedrático e Director da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, da Academia de Ciências de Lisboa, por altura do XX aniversário da entrada do Prof. Salazar no governo. Abril 1948.

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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