13 de dezembro de 2017   
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(continuação)

Quem meteu na ordem os serviços autónomos que nem ao menos as contas publicavam em devido tempo?
E já agora, ainda a propósito do Ministério da Instrução. Saberá o leitor duma interpelação feita por um deputado ao ministro respectivo sobre o pagamento dum conserto do automóvel ministerial que oficialmente ficou em 29 contos e realmente em 11 contos?
Há ordem? o país civiliza-se. Há desordem? o país morre.
Enquanto em 1927 a produção total foi de 185 milhões de kilowats, em 1928 é já de 265 e em 1929 de 240 milhões.
E já agora a respeito de estatística, quem é que a montou? Quem é que fez esse prodígio de publicar-se em meses o que antigamente levava anos? Quem pôs a estatística em dia? Quem foi? — Quem criou os cursos de informação de oficiais? Quem organizou o Exército, coisa em que, de 1918 a 1926, não houve tempo para pensar? Quem organizou a Escola Central de Sargentos e deu prestígio aos que tiram o curso daquela escola? Há ordem? Há desenvolvimento económico.
Assim enquanto em 1920-25 extraímos uma média anual de 167:546 toneladas de antracite e hulha, em 1927 extraímos já 178:643, em 1928 201:347, em 1929 196:901, em 1930 240:792.
Sobre telefones é só isto:

Número de postos telefónicos
Existentes em:
1925, 27
1926, 48
1927, 83
1928, 114
1929, 210

Número de subscritores
Existentes em:
1925, 3:507
1926, 3:543
1927, 3:665
1928, 5:037
1929, 6:533

O número de postos e estações passa de 27 em 1925 para 210 em 1929, isto é quási decuplica!!!
O número de subscritores apesar de, como o «Reviralho» diz, Salazar ter sugado o país, passa de 3:507, para 6:533 isto é quási duplica!!!
Mas os números que seguem é que demonstram bem a sede de progresso e civilização que a Ditadura veio fazer nascer em todo o país, como Portugal deixou de ser Lisboa e, portanto, deixou o país de ser … • a «Brasileira» do Rossio …
Vamos aos números que falam melhor que todos os berros à «Libardade» e à República
Constitucionalíssima.
Número de localidades servidas por telefones:

1924, 18
1925, 23
1926, 44
1927, 78
1928, 126
1929, 175

Isto é, octuplicou o número de povoações que por esse país fora pode utilizar esta coisa tão simples, que faz parte integrante do progresso, como o automóvel e o caminho-de-ferro.
Lembro-me bem quando ia passar as férias a Abrantes, de 1922 a 1025, o que se lutava para se ter telefone; era deputado por ali o zero João Damas, o médico que me custa a crer tivesse conseguido aprender a fazer contas com decimais ou a trabalhar com logaritmos — isto para falar só nas coisinhas mais simples das matemáticas elementaríssimas.
Pois o homem que era deputado por ali, desde 1911, não conseguia arranjar telefone, ou, o que é mais natural, não se importava com isso.
Veio a Ditadura e lá o têm.
O mais é prosa. Liberdade, como dizia Salazar à engenheira Perpétua é uma coisa, e a Verdade é outra. E essa vê-a o povinho que não aspira a lugar em S. Bento nem a emprego público.
E ainda: A quem agradecer essa comodidade que é o tráfego automóvel, o qual teve um estupendo desenvolvimento nestes últimos anos? A quem?
Quando pensaram os povos em ir a Faro em esplêndidas camionetas no tempo em que se ia a Sintra a cinco quilómetros à hora?
Eu bem sei existir muita gente que nunca reparou na infelicidade que foi, para a humanidade, o facto de o motor de explosão ter aparecido depois da máquina a vapor... E sei também — contaram-mo — que com um empregado dos caminhos de ferro, «reviralhista», se passou o seguinte diálogo que o levaria à guilhotina nos tempos de 1789:
— Dizia um : — «A companhia anda atrapalhada com falta de dinheiro.»
— Dizia o empregado: — «Pois estes canalhas consertaram as estradas!!!» Os canalhas eram os homens da Ditadura!!!
Quem tem feito essa formidável concessão de empréstimos às Câmaras?
Quem regulamentou a batota, acabando com essa imoralidade de ser proibido jogar mas... jogar-se em toda a parte porque a polícia recebia dinheiro para prevenir quando ia fazer os assaltos de fiscalização?
Quem criou a ordem dos advogados? Quem reformou o regime Prisional Penitenciário? Quem publicou o novo estatuto judiciário? Quem criou o Cofre de Previdência dos Sargentos? Quem criou o Conselho Superior das Colónias? Quem resolveu a questão do Douro Internacional? Quem criou museus de arte e arqueologia pelo país? Quem reorganizou a Assistência? Quem pôs de pé finalmente o Código dos Inválidos da Guerra? Quem aproveitou as quedas sucessivas de preços do Douro para impor o prestígio do seu vinho? Quem começou com o Cadastro da propriedade rústica? Quem reorganizou as polícias e os postos antropométricos? Quem pensou no turismo? Quando se viu a paixão de viver por essa província? Quem revogou os decretos que reconheciam revolucionários civis? Compare-se.
Quando se fez passar a dotação miserável de 17:583$66 que no orçamento de 1925-26 figurava, destinada à Academia das Ciências, para a dotação de 61:195$00 em 1029-30, e para 101:445$00 em 1930-31? Etc., etc., etc...

(Era assim que pensava o General Humberto Delgado, sobre a Obra do Doutor Salazar!
Às tantas interrogações – como se lê – na defesa da Ditadura, é caso para nos interrogarmos: General Humberto Delgado … Porquê?)


EM DEFESA DO REGIME (03)

Do Livro: Da Pulhice do "Homos Sapiens", de Humberto Delgado - 1933 - Capítulo XIX, pág. 214-218

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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