24 de agosto de 2017   
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Nesta efervescência comunista há, como por toda a parte, em primeiro lugar, um pouco de «snobismo»: a atitude das ideias arrojadas que causam medo e admiração aos «pobres homens» que nós somos, e são defendidas por senhores que antecipam com as suas camisas de seda e seus fatos elegantes o bem-estar geral do futuro e vão tratando «por tu» os camaradas, obrigados por ora a reservar-lhes a eles «excelência». Há depois alguns espíritos, porventura cheios de sinceridade e certamente também cheios de ilusões, que buscam os meios de realizar a paz e a justiça entre os homens, paz e justiça tão abstractas e irreais como a concepção que têm da própria humanidade. Há ainda, e sobretudo os agentes activos e interessados, organizadores da desordem por inadaptação social, por instinto de revolta e por negócio, recebendo e gastando os fundos angariados, e encarregados de manter, geralmente por conta e ordem de estrangeiros, o fogo sagrado da anarquia. Estes, perfeitamente conscientes do mal, não podem contar nem com tolerância para os seus ideais, nem com liberdade para a sua acção; aos primeiros esperamos que lhes passe a febre e aos segundos que a vida os ensine a pensar melhor, impedindo uns e outros de se tornarem nocivos.
Quanto à massa dos verdadeiros trabalhadores, nada podemos recear. Nós não temos responsabilidades nem compromissos nos abusos do capitalismo ou da propriedade; nada queremos ter com os excessos a que tenha sido sujeito o trabalho em quantidade, em remuneração, em condições de higiene ou de moral, nem reputamos que a organização económica actual tenha conseguido dar inteira segurança ao trabalhador, satisfação suficiente às suas necessidades, respeito à sua pessoa, estabilidade e paz à sua família. Não estamos hipotecados a qualquer atitude que não seja de tão enérgica reprovação como a do mais avançado sistema contra a exploração do homem pelo homem, com a sanção do direito.



Relações Internacionais: O Comunismo, Aliança Inglesa, Amizade Peninsular, Pacto do Atlântico (02)

(«Balanço da obra governativa. Problemas políticos do momento» — Discurso aos oficiais de terra e mar, na Câmara Municipal d Lisboa, em 27 de Abril — «Discursos», Vol. II, págs. 33-34) - 1935

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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