25 de março de 2017   
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Fomos nados e criados, a maior parte de nós, em concepções diferentes das que inspiram hoje a nossa vida colectiva: era a divisão na política, a luta nas classes, a desordem na economia, o egoísmo nas relações sociais, a elegância da ociosidade, o cansaço de viver. Muitos disseram: abandonemos a coisa pública à inspiração das paixões e aos movimentos e caprichos da multidão — e foi o predomínio da política sobre a vida, com a democracia. Outros afirmaram: criemos sem preocupações e sem método as riquezas, elas chegarão com abundância a cada um — e foi o predomínio do económico sobre o social, com o liberalismo. Ainda outros defenderam: distribuamos pelos que somos as riquezas criadas e a criar, segundo a razão suprema dos nossos apetites — e foi o predomínio do social sobre o económico, pelo socialismo. Mas, se na desordem política, nas injustiças da economia liberal, na devastação operada pelo socialismo estavam as lógicas consequências dos sistemas, estava também aí o germe da ruína colectiva. Nem eu sei como a Pátria podia ser nas almas mais que imagem literária ou velha tradição de heróicos feitos a que ia faltando a vida profunda, a consciência de uma unidade essencial. Pois que unidade resiste à divisão? que solidariedade ao ódio? que comunidade à falta de disciplina e de organização?
E nasceu o corporativismo que, elevado a regra constitucional da ordem nova, a princípio informador da comunidade nacional, caldeia a Nação no Estado e é como a consciência activa da nossa solidariedade na terra, no trabalho e na vida, isto é, na Pátria — a nossa família que não morre.
Quando vos ouço afirmar o desejo de trabalhar sem descanso pela grandeza e a eternidade da Pátria; que desejais contribuir para o desenvolvimento económico de Portugal e para melhorar as condições de vida dos portugueses; que sois para tanto atentos à palavra do comando e que estais com os Chefes como um irmão com outro irmão — sinto que haveis mergulhado até às raízes profundas e compreendido na pura essência das coisas a que tende o nosso corporativismo.
Podíamos não ter feito mais nada — podíamos não ter melhorado os salários, nem feito contratos colectivos, nem estabelecido caixas de previdência, nem assistido ao desemprego, nem construído casas para os operários e jardins para os filhos dos pobres, nem aumentado as exportações, nem defendido os preços — podíamos nada ter feito que beneficiasse a economia ou melhorasse materialmente a condição dos portugueses, e teríamos realizado obra imensa só com dar aos trabalhadores a consciência e o respeito da sua dignidade, só com ter criado o ambiente de paz social, só com ter feito compreender, feito viver a solidariedade existente entre os que estudam as soluções e os que organizam e dirigem o trabalho ou o executam, e convencido a todos a trabalhar cada vez mais para benefício comum. Era isto sem dúvida o que impunham a razão
e a justiça, e é também isto que impõem as superiores necessidades da Nação.
Nós poderíamos não estar criando — e estamos — a sociedade do futuro, a antecipar-nos e a prevenir as convulsões de que usam irromper os novos ciclos da história do Mundo; nós poderíamos não estar senão atendendo às mais instantes necessidades do momento e do nosso País, e ainda se imporia como acertado o caminho que trilhamos. Quando sentimos em volta de nós tantos sintomas de desagregação, ele conduz-nos a reforçar a nossa coesão e unidade e por elas a aumentar a força e poderio do Estado. Quando aqui e além se apregoam e conseguem impor-se os direitos da preguiça, debilitando as economias nacionais, nós ansiamos por mais intensos esforços para melhor consolidarmos a nossa e defendermos o nosso trabalho de alheias servidões. Quando o ódio açula as paixões e inteligências pervertidas pretendem estabelecer na terra o reino bruto da matéria, nós protestamos pela revolução do espírito que anime os homens e assente a vida em justiça e amor.






O CORPORATIVISMO PORTUGUÊS (12)

(«Revolução corporativa» — Discurso na manifestação de trabalhadores em 27 de Fevereiro — Discursos», Vol. III, págs. 130-133) - 1939

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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