25 de março de 2017   
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Nós continuamos defendendo e aplicando, escrevia eu há pouco, princípios de moderado proteccionismo, de liberdade comercial e de liberdade de transferências, quando, em face de nós, com muito poucas excepções, se levanta um mundo que se rege por princípios diferentes: contingentes, licenças de importação, discriminações de países e de mercadorias, restrições cambiais, taxas interiores, guerras aduaneiras estão na ordem do dia, percorrem o globo, trasladam-se de país para país. Verdade seja que, enquanto por nosso lado temos vivido, os resultados alheios não parecem corresponder às expectativas, pelo que se deve desconfiar da eficácia de tais processos; mas é verdade também que desse modo se encontram muitas portas fechadas ao nosso comércio que não as fecha a ninguém, e isso nos causa embaraços e em certos casos nos coloca em grande inferioridade.
Fartos exemplos tomados ao acaso da vida corrente ilustrariam convincentemente a tese que me é cara: a obra da colonização, a valorização da população portuguesa e da sua actividade, a solução de problemas económicos que interessem imediatamente ou em curto período, intensificando-a, à actividade metropolitana e colonial, solidárias ou complementares, deixam a perder de vista a simples acção política ou financeira do Estado, cujo fetichismo a persistir, além da errada visão, acusaria estados de espírito de decadência. Pagar o Estado dívidas e prejuízos, reconstituir com o seu dinheiro capitais que não existiram nunca, tomar para si os negócios que deixaram de render, cancelar por sistema créditos mal utilizados, autorizar fornecimentos que salvariam este ou aqueloutro, não pode pedir-se nem fazer-se, porque não está aí o interesse geral. O Estado tem acção mais meritória a desempenhar e, quando enredado em tais malhas, mais lhe vale corajosamente verificar as perdas e arrepiar caminho.


Liberalismo e Dirigismo (06)

(«O Império Colonial na economia da Nação» — Discurso na inauguração da I Conferência Económica do Império, em 8 de Junho — «Discursos», Vol. II, págs. 160 e 165-166) – 1936

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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