13 de dezembro de 2017   
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Desejara que esta política, levantadamente nacional, se não pudesse confundir com esse novo nacionalismo económico que a crise fez surgir quase por toda a parte, tão exclusivista e tão alheio aos verdadeiros interesses da nação que o não temos até hoje perfilhado apesar dos embaraços e prejuízos que a atitude de outros nos está causando.
A actual crise operou nas relações económicas dos Estados uma regressão lamentável, tendo-se já perdido grande parte do caminho andado desde a guerra no sentido duma séria colaboração internacional. As dificuldades de trabalho, os prejuízos, a sobreprodução e a desvalorização dos produtos, a estagnação dos mercados constituem fontes de tão graves preocupações políticas internas e de tais pressões da opinião sobreexcitada que aqui e além se regressa a uma luta tarifária intensa, ao proteccionismo exagerado, máscara de verdadeira reserva do mercado para a produção nacional, aos prémios directos ou indirectos de exportação, às proibições e restrições ao comércio externo, isto é, a tudo quanto depois de experimentado se vira já ser prejudicial aos interesses de todos. Por fim chegou-se mesmo à denegação daquela liberdade de trabalho estranho sob a protecção das leis locais que parecia conquista assegurada da economia mundial e do direito das gentes. Numa palavra, no intuito compreensível de simplificar as soluções tratando cada qual só de si, é bem de temer se estejam tomando remédios que são piores males que a crise.
Lealmente assinámos a convenção sobre as proibições e restrições do comércio externo e somos ainda dos poucos que lhe ficaram fiéis; abstemo-nos rigorosamente de contribuir para a anarquia dos mercados com prémios de exportação; temos usado tão comedidamente da elevação das pautas que os protestos dos nossos produtores são quase gerais e enormes os prejuízos resultantes dos baixos preços e da invasão do mercado pelos produtos estrangeiros; fomos para a limitação do trabalho alheio tão docemente que parece ninguém teve de que se queixar, além de exceptuarmos os que tinham por si algum favor dos tratados ou alguma tradicional preferência da nossa amizade.
Pois bem: nós não temos procedido assim nem por ignorância, nem por desleixo ou menos zelo dos nossos interesses, mas entendíamos sacrificar um pouco estes para não seguirmos o caminho que víamos seguir e, a nosso ver, mais perturbações produziria. Mas isso nos dava o direito de alguma consideração.
Trazem os maus tempos consigo, por vezes, bens apreciáveis. Deve pensar-se que a situação de Portugal, no campo restrito do comércio externo, nos é favorável neste sentido, de que, tendo tão grande excesso de importações sobre as exportações, não nos há-de ser difícil tratar, e ao mesmo tempo o mundo recua para a troca directa. Nós, que não provocamos esse estado de coisas, devemos lucrar com ele.
Seja, porém, qual for a sequência dos acontecimentos e as atitudes que vão tomando os vários países nos problemas que a crise fez surgir, a nossa política económica, que sinceramente desejamos as condições externas nos permitam arredar do estreito nacionalismo, tem traçada a sua orientação: ela servirá, organizando os interesses da produção, a harmonia, o progresso, o aperfeiçoamento da economia da metrópole e das colónias, numa só palavra, da economia nacional.


Liberalismo e Dirigismo (02)

(«O interesse nacional na política da Ditadura» — Discurso na manifestação da União Nacional, em 17 de Maio — «DISCURSOS», Vol. 1, págs. 128-130) – 1931

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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