24 de abril de 2017   
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O 28 de Maio fez-se contra um estado de descalabro público que não podia deixar de ter-se reflectido sobre a mesma vida privada; não se impôs aos reformadores só um critério de economia, impôs-se-lhes também um princípio de severidade na administração e no exercício dos lugares públicos. Sabe-se como a insistência dos métodos e o rigor dos princípios começaram a ter influência na direcção das economias domésticas e no modo de vida da população. As noções de orçamento, equilíbrio, poupança, gastos limitados às possibilidades tornaram-se correntes por influência do novo estado de coisas.
A susceptibilidade pública ante o exercício ou pseudo-exercício simultâneo de lugares obrigara a estabelecer regras severas de acumulações e incompatibilidades; as remunerações excessivas em certos casos, quando comparadas com a média dos ganhos privados, levantaram reparos que tiveram satisfação em leis restritivas ou em imposições tributárias especiais. Pouco a pouco se foi afinando a sensibilidade geral de modo que não se julgava admissível passar de um lugar público para a ocupação particular que dele dependia ou podia receber benefício directo.
A guerra é entre nós culpada de muita coisa e também de ter exercido acção nefasta nos espíritos e no modo de encarar estes assuntos. Simplesmente tal influência subia agora dos particulares para o Estado.
A abundância de lucros ou pelo menos de dinheiro contagiou aqueles que o não tinham e naturalmente muito desejariam ter. A administração dos dinheiros públicos continua impecável, mas a aplicação destes através dos serviços é sem dúvida mais larga e tão ambiciosa como se as dotações não houvessem de ter limite. Por outro lado muitos organismos puderam, mercê de rendimentos abundantes e do facto de estarem libertos da disciplina orçamental, estadear larguezas e fazer concorrência aos serviços públicos.
É certo que o nível de vida do País aumentou muito nos últimos vinte anos e a elevação do nível geral só por si desperta novas aspirações, suscita planos mais grandiosos, exige maiores gastos. Isto não é mal e redunda em progresso; só é mal se o entusiasmo fizer perder a noção de equilíbrio e da sujeição forçada às possibilidades.


O PROBLEMA DA RIQUEZA; SUA FUNÇÃO SOCIAL; CAPITAL E TRABALHO (06)

(«Questões de política interna» — Discurso aos governadores civis, comissões da U. N. e candidatos a deputados, em 20 de Outubro — «Discursos», Vol. IV, págs. 451-453) – 1949

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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