29 de abril de 2017   
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No terreno movediço e convulsionado das nossas paixões políticas e desregramentos sociais, foi primeiro o trabalho de consolidação, doloroso algumas vezes, mas necessário a toda a obra que pretenda durar; foi depois definir os princípios, gizar os planos, lançar os alicerces, erguer a construção política e económica, social e moral, de modo que não se desprezassem as exigências do nosso tempo nem se desperdiçassem materiais ou motivos experimentados pelos séculos. Como obra de conjunto, das finanças à administração, da economia à moral, da saúde do corpo à inteligência, da riqueza material à cultura, do indivíduo à colectividade, do agregado local à região, à Nação, ao Império; como obra de conjunto, dizia, como trabalho de reconstituição e reaportuguesamento, de valorização colectiva, de impulso criador sistematizado, ordenado à maior coesão, força e prosperidade da grei; como ideia e realização, se esta obra causa orgulho aos portugueses, podemos dizer que o Chefe do Estado tem nela sobrados motivos para a sua glória.
As finanças, cuja reforma e estabilização nos absorveram tão completamente que em certo momento parecia constituírem elas próprias o verdadeiro escopo da Revolução, não são mais que um dos pilares em
que outras reformas e trabalhos haviam de assentar; quase são para o conjunto um pormenor. A reforma administrativa, forçando a máquina estadual a mover-se com economia, competência e respeito pelos interesses dos cidadãos, trabalhando ao ritmo imposto pela satisfação dos interesses colectivos, não foi para mais do que deixar a burocracia de ser estorvo e o Estado ser efectivamente o guia, coordenador e estímulo do trabalho da Nação. Todo esse imenso trabalho de recuperação, salvamento, valorização do nosso património secular; tudo o que tem constituído a obra pública na instalação de serviços, nos portos, nos rios, nas estradas, nas comunicações, na urbanização, nos melhoramentos rurais, se destinou a dar à Nação, no conjunto, instrumentos ou meios de trabalho e às populações maiores possibilidades e conforto. Pretendeu-se mais trabalho e mais riqueza para todos e forçou-se a terra pelo arroteamento, pelas obras de hidráulica, pelo intenso povoamento florestal, certamente o mais vasto desde D. Dinis, pelo aperfeiçoamento dos métodos de cultura, pela activa intervenção da técnica, a dar alimento para mais milhão e meio de portugueses. Instalaram-se indústrias que não conhecíamos; elevou-se a produção mineira a níveis que não haviam sido aproximados antes; em estaleiros nossos se construíram barcos mercantes e de guerra a que até aqui ninguém sonhara aventurar-se. E se em toda esta colmeia trabalhadora, que aliás tem permitido a sucessiva elevação do nível geral da vida, há ainda obreiros sem aquelas garantias que ousamos proclamar como direitos —-. o do trabalho e o da família — todos têm a segurança de que os compromissos da Revolução se cumprem e de que se não se adoptam soluções precipitadas é para não comprometer soluções definitivas.
Estabilizou-se a fórmula política; constitucionalizou-se a Revolução. A ordem, a harmonia, a tranquilidade geral são indicador seguro de que os indivíduos e grupos sociais se congraçaram em a Nação e que o Estado Corporativo promove o interesse desta e garante eficazmente os direitos daqueles. Desta ordem, desta unidade uma nova consciência se formou, unitária, viril; o patriotismo passou a ser conceito activo e a dedicação pelo bem comum sentimento generalizado. Surgiu uma nova’ concepção de Império; tem-se vivido uma ideia imperial: quando o Chefe do Estado realizou as suas viagens verdadeiramente triunfais às ilhas atlânticas e aos domínios de além-mar, pôde sentir como vibravam, sobre o fundo de um passado de glórias, as palpitações frementes da nova alma de Portugal e do seu Império.
A solidez da estrutura política, económica e social parece averiguada, pois que tem resistido a crises económicas e financeiras que assolaram o mundo na última década, às mutações políticas que agitaram quase toda a Europa nos últimos anos, às lutas civis da Península, à guerra mundial de hoje. A ordem não se altera; mantém-se a unidade nacional; o trabalho intensifica-se; o País consegue abastecer-se quase satisfatoriamente numa Europa empobrecida e faminta, a moeda mantém a sua solidez; o crédito do Estado afirma-se todos os dias; aumenta o prestígio da Nação; os soldados do Império estão alerta nos pontos mais sensíveis; tem sido possível manter dignamente a neutralidade e conservar-nos em paz — neutralidade útil a todos, paz que não afronta ninguém


Os Grandes Problemas Nacionais (13)

(«Na reeleição do Chefe do Estado» — Ao microfone da E. N., em 7 de Fevereiro — «Discursos», Vol. III, págs. 311-315 - 1942

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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