27 de maio de 2017   
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Antes de se haver entrado no trabalho de reorganização, uma palavra só — desordem definia em todos os domínios a situação portuguesa.
Sendo impossível atacar simultaneamente e com igual intensidade todos os problemas, era necessário concentrar os maiores esforços naquele cuja solução, tida em conta a interdependência de causas e efeitos, se visse poder aproveitar-se como elemento dominante para resolver os demais, e sem resolver o qual nada de grande e de sólido se podia empreender ou realizar. Esse é o problema financeiro.
A mesma obra de ordem nas finanças e na economia estende-se da metrópole às colónias, essencialmente ligadas com a própria existência de Portugal e com as exigências do seu desenvolvimento. Mas é visível que uma acção larga, relativamente aos problemas dos nossos domínios ultramarinos, só é possível, como aqui mesmo, depois do saneamento financeiro.
Que hei-de dizer-vos agora do problema social, no qual englobaria a higiene, a assistência, a instrução, a educação, os problemas do trabalho? — Que não chegou ainda a hora das grandes soluções. Temos a consciência do nosso atraso em instituições e leis que se relacionam com esses problemas; temos a consciência da nossa responsabilidade, que nos indica esse como vasto campo de acção governativa, de execução directa ou assistência às iniciativas dos indivíduos e das colectividades; temos a consciência da falta de meios materiais para obra de vulto. Daqui o pouco que se há feito, o muito que se intenta fazer: declaração esta que é mais que uma promessa, porque é um programa.
Não é preciso ter, como eu, vindo de baixo, do povo, do trabalho, da pobreza, para sentir vivamente a inferioridade das condições de vida, material e moral, que usufrui, em contraste com toda a Europa do ocidente, o povo português, e para notar as fontes novas de energias que borbulham aqui como no seio de todas as sociedades modernas, e que nenhum homem público ousaria desconhecer ou desprezar. O rejuvenescimento e revigoramento de quadros sociais abertos a todos pelo direito, fechados a muitos pelas condições económicas, só podem, de facto, obter-se por larga obra de assistência e de educação, que, se por um lado é cara, tem por outro a vantagem de valorizar o capital humano e de aumentar em grandes proporções o seu rendimento actual.
Nós não poderíamos empreender com amplitude tudo quanto neste campo há para fazer — prescrever e realizar — senão com finanças sólidas e economia próspera, sendo necessário que esta se desenvolva e robusteça para não precipitarmos soluções que acabariam por ser inúteis, senão contraproducentes.
Não quer isto dizer que, pelos vários ramos da administração pública, onde se tratam esses interesses e se põem essas questões, se não tenham multiplicado esforços e dedicações valiosas para aumentar o rendimento dos serviços e fazer melhor, mais produtiva aplicação dos dinheiros públicos.
Pode afirmar-se que entre os homens que pensam nas coisas públicas em Portugal se encontram três posições diversas, relativamente a este problema. Condensá-las-ei nas três proposições seguintes:

(Em virtude da extensão do Discurso, dividimo-lo em três partes. «CONTINUA»)

Os Grandes Problemas Nacionais (03)

(«Ditadura administrativa e revolução política» — Discurso na Sala do Risco do Arsenal de Marinha, em 28 de Maio — «Discursos», Vol. 1, págs. 47, 52, 56-57, 57-58, 59 e 60-65) - 1930

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