15 de dezembro de 2019   
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Em tão greve emergência tudo, pois, se tem mobilizado, menos a consciência da Nação. Essa irrompeu espontânea, fremente, desde o primeiro momento, com vibrações que não lhe conhecíamos, mas sabíamos existir no fundo da alma portuguesa. A pequena Índia vive no coração de Portugal e nunca tão forte unanimemente se revelou entre todos os portugueses como quando pressentiram que podia correr perigo. De toda a parte, do Ultramar e de países estrangeiros, chega-nos o mesmo apelo, o mesmo grito: guarda-se Goa, com os haveres, as armas, os peitos, os novos e os velhos, as orações e os sacrifícios, como o mais caro tesouro da família e da história lusíada. Penso não haver um português que não partilhe deste sentimento e não vibre, sejam quais forem as suas divergências ideológicas ou políticas, com uma questão que é, em verdade, uma questão nacional.
Quando grandes nações se dispõem a arrastar os pequenos povos para tão graves conjunturas, de muitos lados se ouvem apelos à necessidade de ser realista. Sem dúvida, o realismo é uma saudável e equilibrada atitude do espírito, mas aplica-se às coisas e aos factos e não ao domínio moral. O direito permanece o direito, mesmo que não haja força bastante para impô-lo ou que razões geográficas impeçam o seu uso em toda a plenitude; o dever permanece dever, mesmo quando cumpri-lo represente um sacrifício inútil na escala corrente dos valores.
Nós seremos realistas em compreender que a União Indiana pode, quando se coloque à margem da moral e do direito, tornar praticamente incomportável a vida a vida nos minúsculos territórios portugueses: tem por ela a superioridade da iniciativa, a proximidade, a sua própria grandeza e força material. Mas a União Indiana será por seu lado realista, se tiver em conta a reprovação da consciência geral. Será realista, se vir claro que os seus legítimos interesses de Estado vizinho são conciliáveis com a existência de Goa, e muitos prejudicará sem remédio ali e noutros pontos se a desconhecer. Será ainda realista, se compreender do nosso lado o capricho de um governo, mas o inequívoco imperativo de uma Nação que considera dever à dignidade os agravos ao direito e defender o seu território. Correu já sangue na Índia? A Índia conhece bem o sangue português – no mar e em terra, nas veias, nas almas.


Florilégio de pensamentos- Algumas das Mais Belas Páginas de Salazar (55)

Em tão grave emergência - Discursos, Vol. V, págs. 225 e 226
Edições Panorama - Lisboa 1961

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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