27 de março de 2017   
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Não sou dos que julgam que há uma verdade política; mas firmemente creio que há verdades políticas tão exactamente demonstradas pela razão e pela experiência como conclusões das ciências positivas. Os que julgam possuir a verdade na política e governo dos povos vão desgraçá-los com a imposição, até onde puderem, do seu elixir universal; os que não crêem nas verdades políticas pouco se lhes dá dos regimes e dos sistemas, mudarão ao menor sopro as instituições dos países, dispor-se-ão a sacrificar com elas as garantias da sua própria segurança e vida colectiva, sem ver que há por vezes aí tentativas e manifestações... de domínio do exterior.
Eis porque, sem esquecer a História com o seu mostruário de instituições políticas que morreram, se revezaram ou rejuvenesceram, nem supor que se cria agora para a eternidade e tudo se conservará imutável no tempo, o que seriamente me preocupa é saber se, sim ou não, têm sido focados os problemas centrais da comunidade nacional e se, através de reformas de toda a ordem, e à frente as das instituições políticas, se tiveram presentes as verdadeiras necessidades e possibilidades da Nação portuguesa.
Que isso tenha sido percebido e devidamente apreciado pela generalidade dos contemporâneos não interessa senão ao momento político e em certa medida, pela calma da consciência pública e a tranquilidade que cerca o trabalho de governo. O que acima de tudo importa é que se tenha encontrado o verdadeiro caminho, seguindo o qual o povo pode viver tranquilamente a sua vida e a Nação cumprir a sua missão histórica, isto é, que se realize o que é essencial na vida e se seja fiel ao que é permanente na História. Só isso na verdade é transcendente para o futuro do País.
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É pura justiça reconhecer que no terreno económico, moral, político ou diplomático tudo tem sido conduzido em obediência àquele pensamento fundamental, mas eu receio muito da preguiçosa tendência que espera prodígios da actuação de um homem ou de poucos, quando todos os milagres se deveram confiar do esforço em conjunto da Nação, sobretudo quando, como Portugal, está habituada a fazê-los. Só se pode estar tranquilo quando obra tão vasta que se propôs descer até às próprias raízes do nosso ser colectivo não só tem o apoio geral - porque isso é ainda pouco - mas quando ela mesma representa como que a floração e fruto do esforço comum. Em verdade dois grandes sentimentos deviam inteiramente dominar as nossas atitudes e acções - o sentimento da comunidade portuguesa na vida de relações interior, e o do interesse nacional no trato com as outras nações, como reacção contra a doentia preferência do nosso espírito pelo interesse estrangeiro.


A Restauração das Grandes Certezas: DEUS, A PÁTRIA, A AUTORIDADE, A FAMÍLIA, O TRABALHO (15)

(«Duas palavras a servir de prefácio» - «Discurios», Vol. III, págs. VII-VIII e XIII) - 1943

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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