19 de novembro de 2017   
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(continuação)

dizer são a simples reafirmação de que até ao presente não diminuiu a sua necessidade e para o futuro não pode afrouxar o seu alerta.
Há vinte anos foi nítido para vós mas não o foi para muitos —, em face do caso espanhol, que o que essencialmente se desenrolava no mundo eram conflitos de civilização; ou mais precisamente que a civilização ocidental estava sendo desmantelada até aos alicerces e batida nos seus princípios fundamentais e nas suas criações por outros conceitos filosóficos, outras maneiras de encarar o homem e a vida, novas medidas de valor para as realizações do espírito. Em face destes conflitos, deviam considerar-se de melhor monta as confrontações das formas de Estado e dos regimes políticos, as divisões partidárias, certas desigualdades sociais, os interesses materiais da vida.
Neste intervalo as nações bateram-se por hegemonias, os homens pelas riquezas, os governos pelo domínio ou pelo prestígio da sua própria existência. Mas quando nos foi dado viver, ainda que de longe e em segurança, o caso húngaro — a amargura até ao desprezo da vida, a luta sem esperança, o adeus à terra, o abandono dos lares, a dispersão das famílias, a imolação dos fugitivos, a deportação dos inocentes — todos nós pudemos sentir a precariedade de certas coisas por que muitos se batem, para só avultar a transcendência de algumas a que estamos — tantas vezes inconscientemente! — presos pelas próprios raízes de que provimos, O que significa esse vibrar da consciência nacional? Nós queremos a independência da nossa terra, a inviolabilidade dos nossos lares, a paz no trabalho, a segurança da vida, a liberdade de crer. Tudo isto o queremos seguro e bem nosso — não como falsos profetas no-lo prometem para o recusarem em ruínas e sangue, segundo todos vemos — mas como o sentimos no mais íntimo da consciência e como no-lo revela o nosso coração de portugueses.
Ora, a defesa desta posição, que é sentimentalmente de todos ou quase todos, temos de entregá-la à especial vigilância de alguns. E é reconfortante ver que de todos os lados, sem distinção de meios de fortuna ou de modo de vida, sem recompensa ou escolha de postos, uma multidão acorreu a oferecer-se simplesmente para servir. Na verdade, através das ameias da fortaleza nacional, ameaçada nos dias de hoje como todas as outras e tanto mais ameaçado quanto mais intransigente e mais firme, sobre os velhos muros deste castelo português, vós tendes de manter guarda e vigia constante pela segurança de todos, mesmo dos que nos combatem ou atraiçoam, sem deitar contas à grandeza do sacrifício pedido.
Quando me ponho a reflectir sobre a crise interna e externa por que passa a nossa civilização, não me acode ao espírito duvidar da capacidade universal dos seus princípios nem desse halo espiritual e humano que lhe permite elevar por simples efeito da sua irradiação até a uma fraternidade universal as almas, as raças, os povos. Mas além de ser já grande diminuição do potencial civilizador ter-se aqui e além perdido a fé na sua superioridade intrínseca, eu vejo que nos estamos por vezes comportando como se esses conflitos de civilização estivessem postos só para discussão de filósofos em doutas academias.

E o que receio, então? Direi francamente que tenho medo... do medo.

Esta Europa, que foi berço de nações e agente missionário da civilização que tão esforçadamente servimos e propagámos, afigura-se cansada da sua mesma grandeza, em parte amolecida pelas coisas fáceis da vida. Penso que ela sente demasiado medo da pobreza e do sofrimento, que são afinal a vida. Ora, ter medo da vida e ter medo de bater-se para defender a dignidade dessa mesma vida são a maior causa do nosso abatimento e Deus queira a não sejam da nosso perdição, pois aqueles que se nos opõem, se mostram desprezo pela vida alheia, também estão decididos a jogar a sua. E daí concluo que nenhuma superioridade moral ou intelectual demoverá ou fará recuar os bárbaros do nosso tempo — tão sábios e tão «técnicos» como nós próprios — e que, se quisermos sobreviver, teremos de estar resolvidos a lutar.
Estas palavras seriam talvez duras no seio de ideólogos impenitentes, ou mesmo nalguns centros onde os exercícios da oratória, trovejando contra a barbárie, só têm convencido os mais fracos. Mas podem ser ditas entre nós, que, apesar de pequenos e pobres, temos a consciência de uma missão a cumprir. A paz é, sem dúvida, supremo anseio e necessidade de coexistência social, mas a paz é uma posição recíproca, pelo que é preciso estar disposto, em face de poderes agressivos que não desarmem, a lutar por aquilo que temos como essencial à nossa vida e à vida da nossa Pátria.

- Vós compreendeis o que eu quero dizer. Eu creio em vós.»

Sim, ele sabia, com absoluta segurança, e sem necessidade de mais provas, que poderia contar, em todas as emergências de carácter nacional, — e essas eram, acima de tudo, as que, fundamentalmente, lhe interessavam — com a imperturbável fidelidade da Legião Portuguesa, ao serviço da Pátria e, consequentemente, da Revolução.
Sem fundamentada convicção, não o teria afirmado — e afirmou-o em 1956, quando a Legião tinha já vinte anos de existência activa, durante os quais fora sempre igual a si mesma, na Fé, no entusiasmo, na firmeza de atitudes e propósitos e na alegria de cooperar no engrandecimento da Nação.


A Legião Portuguesa (22)

Parte III (final)

Legião Portuguesa: Expressão da Consciência Moral da Nação!
Trigésimo aniversário da Legião Portuguesa, 1936 – 1966, no quadragésimo ano da Revolução Nacional.

A Legião e Salazar

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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