29 de maio de 2017   
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TRADIÇÃO E PROGRESSO

Quando se diz que o Estado Novo «representa o acordo e a síntese de tudo o que é novo» — ou, em duas expressões rápidas e claras, da Tradição e do Progresso — enuncia-se uma verdade útil e necessária, que deve ser bem conhecida.
É o momento de aliar, num impulso fecundo, estas duas ideias, que certas pessoas, por ignorância ou atraso mental, julgam incompatíveis. Tradição e Progresso são, afinal, aspectos complementares da mesma força criadora. São elos da mesma cadeia. São elementos convergentes da continuidade construtiva do génio nacional.
Que fazer? — perguntava o actual Chefe do Governo, quási no início do seu discurso fundamental de 30 de Julho de 1930, ao examinar os caminhos entre os quais era preciso escolher. Que fazer então? E logo respondia: «Tomar resolutamente nas mãos as tradições aproveitáveis do passado, as realidades do presente, os frutos da experiência própria e alheia, a antevisão do futuro, as justas aspirações dos povos, a ânsia de autoridade e disciplina que agita as gerações do nosso tempo, e construir a nova ordem de coisas que, sem excluir aquelas verdades substanciais a todos os sistemas políticos, melhor se ajuste ao nosso temperamento e às nossas necessidades».
Repare-se bem como principia este magnífico período de definição e de síntese: «Tomar resolutamente nas mãos as tradições aproveitáveis do passado...»
Longe estava, por certo, do espírito de Salazar — como longe está do nosso espírito — o intuito de conservar a Nação em dormente apatia! Ao contrário. Queremos um aproveitamento dinâmico da tradição — que chame o País às suas responsabilidades históricas, lhe recorde o orgulho legítimo de antigas glórias e o estimule a igualar hoje, ou mesmo a ultrapassar, os seus mais belos períodos de grandeza. Mas isto de tal maneira que terá de operar-se uma transposição indispensável. O nosso passado não deve «pesar demais no nosso presente». E é intuitivo que, se nos agarrássemos às «concepções dos tempos heróicos», correríamos «o risco de aparecermos como braços desocupados num mundo novo que nos não entende».
A transposição indispensável — consistirá, portanto, em tentar subir à mesma altura a que subimos outrora, mas dentro do quadro de valores do nosso tempo. Se fomos, na idade das navegações e das conquistas, os maiores nautas e guerreiros do mundo — sejamos, no século da indústria e das lutas comerciais, os maiores industriais e comerciantes. O que interessa é que conservemos, senão o primeiro, ao menos um dos primeiros lugares. E é neste sentido que nos servirá de estímulo e de modelo a nossa tradição.
Assim visto e compreendido o tradicionalismo é uma salutar exaltação da memória colectiva — oferecendo-lhe uma galeria de exemplos que se converte em fonte de energias. Alguém afirmou, que «os verdadeiros inovadores não são senão continuadores». Perfeitamente certo, Só continuando se pode atingir conquistas novas. O cúmulo da insensatez seria fazer tábua rasa das aquisições sucessivas da História — desbaratar uma herança de séculos...
É legítimo, pois, combater o preconceito que interpreta o respeito pela tradição, o desejo de conservar e desenvolver tudo o que de forte e de grande ela nos tenha deixado, como simples atitude de inércia ou de retrocesso. Tal como a interpretámos atrás, é antes uma poderosa atitude de marcha para a frente, um esforço maior para horizontes e possibilidades novas. A tradição constitui um legado a conservar e a aumentar, a lição que nos deram as gerações de cujo sacrifício resultou a Pátria de nós todos. Constitui — sem dúvida «o imperativo categórico da História!»
Não se trata dum culto saudosista, duma evocação passiva das eras mortas. Trata-se dum recurso permanente às fontes da energia nacional e dum viril propósito de continuar a tarefa dos antigos construtores, juntando o nosso bloco ao edifício por eles construído.
Em resumo: o tradicionalismo que nos interessa e orienta é uma escola de disciplina, de trabalho, de impulsividade criadora. É uma concorrência benéfica entre os homens de hoje e os de ontem, na realização da obra comum. Enfim: uma origem constante de luta e de progresso.
Eis-nos chegados ao ponto de encontro da Tradição e do Progresso. Já vemos agora, com nitidez, que a Tradição não é mais do que a soma dos progressos realizados; e o Progresso não é outra coisa senão a acumulação de novas tradições, capazes de despertar, amanhã, outros progressos...
Assim definidos os dois termos — e esclarecidas as ideias que ambos representam — não há dúvida que o Estado Novo pode realizar o acordo e a síntese «das tradições vivas da Pátria e dos seus impulsos mais avançados».
Veremos, adiante, como na estrutura do Estado Novo se opera, admiravelmente, essa aliança das grandes e puras forças da tradição nacional — com as exigências normais da nossa época.
O Portugal de amanhã voltará a ser digno do Portugal de sempre.

Princípios da Doutrina do Estado Novo (01)

O ESTADO NOVO representa o acordo e a síntese de tudo o que é permanente e de tudo o que é novo das tradições vivas da Pátria e dos seus impulsos mais avançados. Representa, numa palavra, a vanguarda moral, social e política.
DECÁLOGO do Estado Novo, Edições SPN Lisboa

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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