29 de maio de 2017   
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DEFESA DO ULTRAMAR

Na sua História de Portugal — monumento de erudição e testemunho de rara probidade intelectual — escreve o Professor Veríssimo Serrão: «Torna-se imperioso afirmar que a Nação quase inteira aplaudiu, no último período da Monarquia, a nossa permanência em África. Se os homens públicos fundamentavam a aposta no promissor futuro das Colónias, uma onda de vibração sentimental varreu todos os estratos sociais, fossem eles fiéis à Monarquia ou simpatizantes da República.»

DIREITO E DEVER

«Na nossa ordem política, a primeira realidade é a existência independente da Nação Portuguesa, com o direito de possuir fora do continente europeu, acrescendo à sua herança peninsular, por um imperativo categórico da História, pela sua acção ultramarina em descobertas e conquistas, e pela conjunção e harmonia dos esforços civilizadores das raças, o património marítimo, territorial, político e espiritual abrangido na esfera do seu domínio ou influência.»
(Salazar, Discursos, Vol. 1, p.77).

Desde o princípio do seu longo mandato, o Presidente do Conselho vira o Ultramar integrando a expressão una da vida e rumo de Portugal. O discurso em que se insere o trecho que se reproduz é de 1930.
Já em muitas gerações, sangue português correra em África, em doação generosa que, primeiro, fizera portuguesas aquelas longes terras e as baptizara cristãs e, depois, as defendera com suas gentes de cobiças alheias. Cobiças de vizinhos poderosos ou de grandes impérios ou, mais tarde, de ventos soprados por movimentos políticos internacionais e por complexos interesses de hegemonia económica.

Não era apenas a nossa obra séria de fomento económico e de paz social que Salazar defendia em África: era o direito de Portugal de continuar a ser Portugal — em África estando e ficando.

«Essas poucas páginas brilhantes mas consoladoras que há na História de Portugal contemporâneo escrevemo-las nós, os soldados, lá pelos sertões de África, com as pontas das baionetas e das lanças a escorrerem em sangue. Alguma coisa sofremos, é certo; corremos perigos, passámos fome, e sedes e a não poucos prostravam em terra para sempre as fadigas e as doenças. Tudo suportámos de boa mente porque servíamos El-Rei e a Pátria, e para outra cousa não anda neste mundo quem tem a honra de vestir uma farda.»
(Carta de Mouzinho de Albuquerque, ao Príncipe Real D. Luís Filipe).

Aludi, ao princípio, a um velho senhor da minha terra, diante de quem meu pai impunha que se falasse sempre de chapéu na mão — porque ele tinha sido soldado de Mouzinho.
Batidos os régulos principais de Gungunhana, em Magul, por Freire de Andrade e Paiva Couceiro e, em Coolela, pelas tropas do Coronel Galhardo, o leão de Gaza não se submetia. O Capitão Joaquim Mouzinho de Albuquerque — que então estava por Governador do distrito de Gaza — sonhara e cumpriu a vitória final sobre o império vátua, no assalto impensável dos seus homens ao poderio do Gungunhana, na mítica fortaleza de Chaimite. Era dia de Natal.
Do valor dos seus heróis também depende o prestígio das nações. Numa grande reunião de militares notáveis, o Imperador da Alemanha faria o Major Mouzinho de Albuquerque preceder todos os marechais e generais que ali estavam. E disse porquê.
Mal vai à pequenez de nossas almas se nos conformarmos com que não teria valido a pena o sacrifício de muitos portugueses — cuja vida e morte pela Pátria nos impõe, precisamente, o dever perene de servi-la. Ainda que tudo pareça estorvá-lo, como tudo parecia impedir a vitória de Mouzinho, em Chaimite, naquele Natal de 1895.

POLÍTICA ULTRAMARINA (15)

SALAZAR – Memórias para um perfil, de José Paulo Rodrigues (subsecretário de Estado da Presidência do Conselho de 1962 a 1968), pág. 153 e 154.

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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