29 de março de 2017   
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(Continuação)

acerca do Homem, da Sociedade e da Vida.
Dá vontade de repetir o lamento de Sócrates: — «O grande mal é que a maioria destes homens ignorem a essência das coisas …».
Porque a ignoram, submerge-os a avalanche dos pequenos episódios e das mutações constantes. Em vez de dominar os acontecimentos, são dominados por eles. E é frequente não se lembrarem do que fizeram ontem e não calcularem o que vão fazer amanhã.
Não pertence Salazar a esta galeria triste de acéfalos, de inconsequentes e de impulsivos. Entre os improvisadores — é um metódico. Entre os fúteis — um construtor. Entre os cépticos — um dogmático.
Crê na Verdade. Pensa com a Verdade. Fala verdade. «Não há liberdade contra a verdade — proclamou. «Primeiro, o culto da verdade — proclamou também. E ainda : — «Contrariamente à mentira — escola política e sistema de governo — a verdade, a verdade nas palavras, nos actos, nas reformas, nas leis e na sua execução». Daí, a impressão causada e a projecção obtida pelos seus discursos. Benavente explicou tudo naquela magnífica súmula: — «Dizem-se mil mentiras, e o Mundo fica como estava; diz-se uma verdade, e o Mundo dá uma volta …».
Para que o Mundo dê a volta que todos desejam e esperam — para que não seja mais esta arena de discórdias e receios, onde cada jornada se vive no pavor de nova conflagração, onde as incertezas de uma paz frágil, instável, em perigo incessante, enchem de angústia a humanidade sofredora, a única receita será fazer soar outra vez a linguagem da Verdade. Só ela resolve, aclara e pacifica.
Com Salazar, a verdade portuguesa encontra expressão e audiência universais. E isto porque, se na sua formação mental se podem descobrir vestígios desta ou daquela corrente da melhor filosofia política e da melhor sociologia — linha soberana que vem das lições perenes de Aristóteles e de São Tomás de Aquino, explende nas Encíclicas dos grandes Pontífices, anima, no último século, as construções de De Bonald, de José de Maistre, do nosso Gama e Castro, de Le Play, de La Tour du Pin, e, até certo ponto, mais perto de nós, a incisiva crítica maurrasiana do liberalismo e da democracia parlamentar — a sua grande mestra é a própria História de Portugal, com as constantes maiores: serviço de Deus, descobrimento e evangelização de terras e de gentes, sentido patriarcal e demófilo do Poder, consciência de missão à luz dos ideais apostólicos do Ocidente. É pelos nossos oito séculos de esforço, de cruzada, de expansão missionária e imperial, de energia construtiva e civilizadora, que Salazar fala! É em seu nome que oferece, neste lance trágico, aos povos em sobressalto e em desvario, as claridades de uma doutrina restauradora e humana e os exemplos de uma Nação que se tornou, pela observância dessa doutrina, modelo de trabalho na ordem, de dignidade na unidade, de ressurgimento na paz. Frente às heresias em voga, sobe, com ele, a imagem da ortodoxia portuguesa!
… Faz hoje vinte anos. Todos tivemos a clara sensação de ouvir então uma voz diferente das outras. Agora, é o Mundo que tem a mesma clara sensação, quando Salazar toma a palavra, de ouvir uma voz diferente das outras.
Como poderemos agradecer bastante a este homem cuja glória o ultrapassa — porque já é glória de Portugal?

(Fim)


SALAZAR - testemunhos... (16)

Discurso proferido por João Ameal, escritor, da Academia Portuguesa da História, por altura do XX aniversário da entrada do Prof. Salazar no governo. Abril 1948.

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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