25 de maio de 2017   
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(Continuação)

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Do homem que hoje tentam apresentar-nos como um monstro de maldade, acontece que, ao pronunciarem-se sobre as suas qualidades mais relevantes, alguns testemunhos, de quem o conhecera de perto, coincidem em apontar, como qualidade primeira, a sua própria bondade.
Cito dois testemunhos conhecidos, cuja coincidência impressiona: por virem de pessoas de muito diferentes parâmetros de julgamento e, sobretudo, porque, referindo-se a épocas muito distantes entre si, dão a noção da estabilidade e relevo daquela virtude.
O primeiro é de sua irmã Marta, professora de instrução primária na sua terra natal e reporta-se à infância de Salazar: «Era talvez a bondade a sua qualidade mais evidente».
O segundo firma-se em observação muito próxima da personalidade de Salazar, meio século depois, e subscreve-o um dos homens mais inteligentes e cultos que me foi dado conhecer, catedrático eminente, matemático e académico de História.
No seu depoimento, no livro Salazar visto pelos seus próximos, o Doutor Francisco Leite Pinto responde à pergunta do esquema redigido por Jaime Nogueira Pinto: «Pois me perguntam qual foi o aspecto humano que mais me impressionou em Salazar? Pois desde os anos 39 a 44, eu posso responder: a sua bondade!». Alguns a negam, por ódio cego. Porém, os que a negam, em erro mas de boa fé, fazem-no quase sempre por não distinguirem com a lucidez requerida, o peso que sobre ele recaía, por via da grave obrigação de consciência de cumprir o seu dever de estado.
A ideia clara, mantida em pura singeleza, em humildade, nas horas de aplauso e de vitória; e a mesma ideia firme, imperturbável, corajosa, em horas de traição ou de crise.
A ideia clara do grau de lealdade dos que o acompanhavam e que lhe permitia, sem demasiado risco, aceitar também a colaboração que se dispunham a dar-lhe pessoas de diferente pensar mas cuja presença dava à sua base de sustentação política a dimensão indispensável para prosseguir.
Em boa parte do 1º volume da obra exaustiva de Franco Nogueira regista-se o percurso intelectual de Salazar, iluminado por traços de uma inteligência assinalável. Que o seu currículo escolar e universitário testemunham; de que se deram conta, a seu tempo e segundo a capacidade própria, o mestre-escola de Santa Comba; os professores e teólogos do Seminário de Viseu; os colegas e discípulos do Colégio da Via-Sacra; a corporação universitária de Coimbra, pelos que foram seus mestres, seus companheiros como escolares, colegas na cátedra e, em várias gerações, estudantes seus alunos.
A confiança no valor da inteligência, para conduzir eficazmente a acção, é uma constante do seu percurso.
Testemunhámos o vigor e a vivacidade do seu pensamento algumas gerações de colaboradores seus. Reconheceram-no e confessaram-no adversários de vulto; e nem descobriram os inimigos forma de negá-lo.

(Continua)

SALAZAR - testemunhos... (04)

SERVIR – Capítulo II do livro do Dr. José Paulo Rodrigues (subsecretário de Estado da Presidência do Conselho de 1962 a 1968), "Salazar – Memórias para um Perfil" – 2ª edição, pág. 20 a 21

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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