19 de novembro de 2017   
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(Continuação)

… Ferreira, em entrevista nas Novidades, que é transcrita no Diário de Lisboa, donde a tiro, por não ler o primeiro jornal:
— «Como entendo (diz o ministro) que as convicções não são cousas amovíveis para deixar ficar em casa (itálico das Novidades) creio não errar afirmando que não deve ter causado surpresa o facto de eu pensar, falar e agir republicanamente.»
Não se ignora que há certas pessoas que atribuem ao ministro da Instrução entendimentos com os partidos políticos. O jornalista pôs e questão. O professor respondeu precisamente:
— «Não sou pessoa para ter entendimentos senão com a minha consciência, zelando avaramente a minha independência intelectual e moral como uma grande fortuna. Vivi sempre à margem da actividade política, excluídos os primeiros tempos da vida do regime. Determino-me presentemente segundo a directriz que entendo que convém ao meu país, sem curar de ser agradável a gregos ou a troianos, nem tão pouco ter receio das consequências pessoais das minhas atitudes.»
O sr. ministro da Instrução entende que, em matéria de reivindicações religiosas, e «de acordo com os princípios liberais que norteiam a sua maneira de ser republicano», se deve permitir na República a manifestação ampla de vida religiosa, em tudo o que não afectar os direitos primaciais do Estado. «República não é sinónimo de antireligião.»
Confirma o ministro da Instrução o seu apreço pela obra do sr. dr. Oliveira Salazar, e que é ao prestígio dessa obra que «a Ditadura — forma de governo evidentemente transitória — deve principalmente a sua estabilidade».
Vai mais longe o professor sr. Costa Ferreira:
se o sr. dr. Oliveira Salazar tem continuado no Governo da primeira vez que ocupou a sua pasta, bem melhor teria sido. E o sr. ministro da Instrução refere-se, neste capítulo, a «tentativas morosas e desagradáveis», do princípio da Ditadura, e que «falharam estrondosamente».
Nesta época andava a exploração em torno do discurso feito dias antes pelo ministro no alto de S. João, exploração feroz sobre o «frade» dominicano solto numa frase, como em devida altura se narrou já.
Se de novo tal se recorda é para justificar o que o mesmo jornal após transcrição da citada entrevista dizia. Era o seguinte:

Um esclarecimento do sr. Ministro da Instrução:

Há dias o sr. ministro da instrução pronunciou
um discurso no qual disse as seguintes palavras:
«É preciso dar caça até ao seu último reduto à intolerância de frade dominicano que, como resíduo atávico, forma o fundo intelectual de muita gente que entre nós pensa em política.»
O sr. major Costa Ferreira, a este respeito, disse-nos esta tarde, textualmente:
«É muito fácil, desde que haja propósitos malévolos, ver no que se escreve ou no que se diz, cousas diversas daquelas que se contam.
Condeno inteiramente todas as manifestações de intolerância, venham de que campo vierem, Invoquei como tipo clássico de intolerância o «frade dominicano», que abunda na história peninsular, querendo desta forma assinalar que, conquanto esse modelo, por assim dizer típico, tenha felizmente desapare

(Continua)


EM DEFESA DO REGIME (10)

Da Pulhice do «Homo Sapiens» de Humberto Delgado. 1933, pág. 226 a 227.
Salazar, a Perpétua e o Cunha Leal. — Opiniões de Homens sobre Salazar. — Os orçamentos. — Para que servia afinal o Parlamento?

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