22 de julho de 2017   
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Seria, aliás, inútil falar da constância dos nossos sentimentos afectivos para com o Brasil: quem quer os nota como coisa simples e natural na gente portuguesa, sem discrepâncias nem exclusivismos de classe, idade ou cultura. Quer no convívio das Academias ou de outros meios intelectuais, quer nas altas relações de Estados, na condução dos interesses económicos, na comunhão entre os dois povos que aspiram — e para os quais nos aspiramos — a invejável situação de terem quase duas Pátrias, são verdadeiramente únicos os sentimentos fraternos que nos unem. E quando, dentro de alguns dias, pudermos receber em Lisboa, por extrema amabilidade do Governo Brasileiro, os vossos soldados de regresso dos campos de batalha da Europa, vós vereis que o povo os confundirá com os seus próprios filhos na ternura e no orgulho com que há-de rever-se neles.
Folgo com que tenha sido possível chegar a inteiro acordo com a nossa Academia na questão ortográfica e que para futuro, fortes da unidade de vistas dos dois Governos, não possamos já recear pela unidade intercontinental da língua portuguesa. Mas, regozijando-nos por esse acto que tão literalmente ficamos devendo à vossa alta compreensão, permiti-me que, transportando-me para outro campo, o considere apenas como o ponto de partida, porventura primeira condição de mais ambiciosos entendimentos e realizações. Deixai-me esperar que nos próximos anos — trabalho para algumas dezenas — vejam portugueses e brasileiros desentranhar-se em proveito das duas Nações e do Mundo os frutos de séculos de uma História comum, desse património histórico de sentimentos, tradições e cultura idênticos, de posições geográficas e situações políticas complementares, a que a Providência se encarregou de dar, pela evolução dos acontecimentos, tão incontestável relevo e tão grande actualidade. Neste pensamento seguimos a marcha ascensional do Brasil no continente americano, dentro da fidelidade à sua primeira formação e fácies europeia, com legítimo orgulho e — porque não havemos de dizê-lo os filhos de uma Europa tragicamente martirizada? — também com esperança.
... saudamos o Brasil, como quem diz a outra Pátria Portuguesa.





Relações Internacionais: A Comunidade Luso-Brasileira (05)

(«Relações luso-brasileiras» — Palavras endereçadas à delegação brasileira que negociou o acordo ortográfico, no almoço oferecido em 8 de Agosto, no Palácio de Sintra — «Discursos», Vol. IV. págs. 136 a 138) – 1945

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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