24 de abril de 2017   
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Se por um lado se dispuseram cuidadosamente de longa data todos os factores internos e externos que permitissem ao País em determinada emergência, previsível para alguns, defender o melhor interesse nacional, salvando ao mesmo tempo a honra e a paz, deve por outro lado confessar-se que o Governo Britânico, aliás constituído em forte necessidade de defender a marinha mercante no Atlântico, se absteve durante anos de pôr um problema que em circunstâncias diferentes arrastaria, fosse qual fosse a solução, consequências invencíveis e de incalculável alcance. E, quando o pôs, limitou as suas pretensões ao mínimo indispensável.
Foi posta em relevo na Câmara dos Comuns a tradicional lealdade do povo português às suas amizades e aos seculares tratados que o ligam à nação britânica. Não é senão justiça reconhecer que desde o começo do conflito, ainda nos momentos mais escuros e difíceis, Portugal não deixou nunca de marcar, com simplicidade e sem reticências, por uma espécie de pundonor e honra nacional, a sua fidelidade à aliança inglesa. Mas a dificuldade do problema provinha de que a política fundamental da aliança tinha sido, por bem entendida extensão dos nossos interesses de nação peninsular e atlântica, completada, mas também por isso mesmo complicada, com outras amizades e com a existência de novos factores. O pedido britânico tinha pois de situar-se no quadro integral da nossa política externa.
De pôr-se em funcionamento a aliança, embora parcial e restritamente, mas em tanto quanto o permite a posição fundamental de neutralidade assumida pelo País, resultou o revigoramento dos antigos laços e a renovação de garantias militares e políticas, aconselhadas em face de eventuais consequências da nossa situação. Nem por serem confirmação de seguranças dadas em tratados se lhes pode julgar diminuído o valor, sobretudo sabendo-se que, pela primeira vez na história das nossas relações, alguns dos domínios da comunidade britânica se associaram expressamente ao Reino Unido para prestar as mesmas garantias de respeito pela soberania portuguesa em todo o Império Colonial. E assim procederam também os Estados Unidos da América.
É certo que no fundo se trata duma aplicação concreta de respeito pela soberania das nações, princípio que foi posto na base da atitude norte-americana como das outras nações unidas na presente guerra; mas não é isso suficiente para que demos menor apreço ou menor significado ao seu acto. O povo português compreende de instinto quanto importa à manutenção da sua soberania nas várias partes do Mundo, mesmo nos tempos revoltos que vivemos, tal garantia efectiva, inequívoca, recebida das duas maiores potências marítimas, associadas na guerra e comprometidas na paz.


Relações Internacionais: O Comunismo, Aliança Inglesa, Amizade Peninsular, Pacto do Atlântico (11)

(«Concessão de facilidades nos Açores — A situação das possessões portuguesas no Extremo-Oriente» — Exposição à Assembleia Nacional, em 26 de Novembro — «DISCURSOS», Vol. IV, págs. 32-33 e 38-39) – 1943

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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