27 de março de 2017   
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O partido único, conduzindo ao totalitarismo do Estado, está claramente fora da nossa doutrina e da nossa ética política, como é repudiado pela consciência mundial. Por outro lado, a lógica e até a justiça impõem ou uma organização de Estado em que o partido não tem função ou o reconhecimento de tantos quantos os ideais ou interesses, transitórios ou duradouros, que seja possível organizar, com capacidade ou não de entrar na formação de um órgão representativo. Mas esta última conclusão, por mais lógica que se revele, começa já a não ser admitida, em nome da necessidade geral de Governos eficientes, pelos mesmos defensores dos princípios que a impõem. Assim vai o Mundo sem atinar com a forma como há-de ser governado.
E ainda que a vida interna de cada país não dependa — ou não deva depender — da vida internacional, todos compreenderão como a exacerbação das paixões, a disputa dos interesses e das influências, o tumulto ideológico dos últimos anos não se revelaram propícios ao complemento de certas reformas constitucionais.
Isto é assim por força das coisas, mas o facto tem-nos imposto uma espécie de compromisso entre sistemas e lógicas opostos e a necessidade de recorrer mais do que seria de razão a um eleitorado de tipo individualista, sujeito, como todas as massas eleitorais, à influência de factores estranhos à pura consciência do interesse nacional. Não só a eleição do Chefe do Estado, que é na Constituição portuguesa a chave de todo o sistema, se tem de repetir em prazo certo — curto para o nosso desejo, longo para o sacrifício de quem exerce o mandato — como a Assembleia Nacional e outros órgãos da Administração são dependentes do recurso a eleições do mesmo tipo.
Nestas circunstâncias, não julgo haver forma de eliminar todos os riscos ou de evitar todas as más consequências da luta nesse terreno. O que me preocupa acima de tudo — e deve preocupar-nos a todos — é não se tratar no caso presente de escolher entre pessoas, todas supostas portuguesas e patriotas, mas entre princípios que no fundo são a Nação ou o partido, a Nação ou os interesses, a Nação ou as paixões de que ela mesma seria vítima.



AUTORIDADE E LIBERDADE: A Nação contra os partidos; A União Nacional (33)

(«Governo e política» — Discurso à União Nacional, em 4 de Março — «Discursos», Vol. IV, pág. 270 e 270 a 272) – 1947

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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