27 de março de 2017   
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O emocionante caso português é no entanto redutível, pelo que toca aos princípios fecundos da transformação operada, a bem poucos elementos fundamentais: na base a segurança e a ordem pública a cargo do Exército e da demais força armada; a vida administrativa dominada pelos princípios de concentração e continuidade; no cimo uma direcção política dotada de estabilidade e independência. Eis tudo.
Determinado o problema a resolver em harmonia com critérios de política superior, a concentração exige que se congreguem elementos materiais suficientes para a sua solução integral, se possível, e o máximo de elementos humanos trabalhem subordinados a um único poder de deliberar. Se verbas dispersas são quase sempre verbas desperdiçadas, a distribuição da mesma competência por vários órgãos anula a iniciativa, quebra a responsabilidade, embaraça os serviços, inutiliza a acção. A consequência lógica do princípio ditatorial aqui aplicado é que muitos preparem, um só resolva e faça executar com meios bastantes. Por outro lado, um só problema inteiramente resolvido simplifica por si a resolução de outros; o ataque em conjunto é quase sempre inoperante.

A concentração não poderia garantir resultados úteis se o esforço não fosse dotado de continuidade: acabar o que se começa; não começar sem se estar seguro de chegar ao fim. A continuidade pode ser considerada uma espécie de concentração no tempo e no espaço, pois que exige a integração dos problemas ou das suas partes em sistema ou plano a ser executado, segundo a ordem mais racional, política, técnica ou economicamente. Nada mais hostil aos hábitos duma administração desregrada ou simplesmente não dirigida que o espírito de sistema; nada mais difícil de fazer adoptar que longos planos de acção que já não se prestam às improvisações, às fantasias e desejos do momento, à satisfação dos interesses mais recomendados, às iniciativas particulares dos agentes, tão apreciadas e tão agradecidas. Mas também nenhuma valorização maior dos dinheiros públicos, nenhuma defesa mais eficaz da igualdade de todos que este princípio de sistema aplicado aos problemas nacionais.

Nós temos trabalhado duramente, dias e noites, sacrificando comodidades, interesses, preferências, prazeres legítimos a este empreendimento de fortalecer, dignificar, engrandecer Portugal. Já ficaram muitos pelo caminho na luta contra as resistências que as paixões, os egoísmos, os ódios de portugueses desvairados, suscitaram contra nós, que temos procurado sanar os seus erros, passando o véu do silêncio sobre as suas responsabilidades. Uns após outros, os anos vão passando e sempre nos ombros frágeis de alguns homens a mesma cruz pesada, mas sempre também no coração o mesmo anseio, o mesmo ardor, a mesma fé a iluminar a vida, a embelezar a luta, até que outros rendam os soldados exaustos ou mortos.
Com mãos carinhosas tomámos esta pobre Nação, morta de saudades, desalentada, escarnecida, e fizemo-la reviver. Por cima da negação do que há de mais evidente e palpável na nossa obra brilhará sempre, avultará sempre o despertar da consciência nacional, o prestígio de Portugal no Mundo: por toda a parte o orgulho de ser português remoça o sangue dos portugueses de hoje e permite repousem tranquilas no túmulo as cinzas heróicas dos portugueses de ontem.
Para o conseguir, empreendemos uma revolução profunda, a que não nos habituámos ainda inteiramente, na economia e na política, nas ideias e nos costumes, nas instituições e na vida colectiva. Afirmando com o voto a vontade inabalável de a prosseguirmos, votamos afinal, senhores, pela independência, pela integridade, pela grandeza da Pátria!
Que podemos temer? Somos mais; somos melhores.




O Problema da Educação (17)

(«A constituição das Câmaras na evolução da política portuguesa» — Discurso radiodifundido da União Nacional, em 9 de Dezembro — «Discursos», Vol. 1, págs. 370). -372 e 387-388) - 1934

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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