25 de março de 2017   
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(Continuação)

para a política e a administração pública em que o Estado seja tão estranho aos interesses de cada um, como atento aos interesses de todos. Mal vai quando um grande negócio, lucros avultados, especulações, preços, importações, encomendas, licenças, direitos, dependem por sistema do parecer de uma repartição pública ou da assinatura do Ministro. A simples suspeição dos particulares envenena a administração.
Quando a organização corporativa tenha sobre si o ordenamento da economia nacional e este seja auxiliado por uma certa estabilização das condições económicas no Mundo; quando por toda a parte hajam desaparecido as restrições, a concorrência desleal, as variações monetárias intencionais e tendenciosas; quando no interior do País a economia estiver entregue aos que trabalham e se distinguir claramente entre o trabalho e a especulação; quando sobre os interesses da produção discutirem, lado a lado, os grandes e os pequenos produtores e a massa operária organizada puder fazer ouvir a sua voz, então ver-se-á que o plutocrata não tem já lugar para si e para os seus negócios e não poderá fazer mais que gastar melhor ou pior o seu dinheiro. A organização nos seus diferentes ramos e aspectos terá libertado o trabalho do despotismo do dinheiro, e terá levado o dinheiro a servir modestamente o trabalho.
A quem haja meditado os princípios fundamentais da Constituição Política e das nossas leis corporativas e haja seguido a sua realização gradual; a quem tenha atentado na orientação da política económica, mantendo-se a todo o transe princípios de liberdade, quando vários países cada vez se fecham mais em exaltados nacionalismos e mais atentados praticam contra a liberdade alheia; a quem tenha apreendido com rigor os princípios que se puseram em prática ao organizar certos ramos da produção — a Federação dos Produtores de Trigo, o Consórcio das Conservas, a Casa do Douro, os grémios de exportadores de vinhos, a Comissão Reguladora do Comércio e Importação de Arroz, para não citar senão os que trabalham em mais largos campos de acção; a quem tenha acompanhado a fé com que se tem prosseguido a organização — aliás facultativa — dos trabalhadores, desde o operário rural aos empregados e aos que se ocupam nas profissões liberais; a quem, finalmente, tenha visto o cuidado com que se procura ressalvar em favor do Estado a autoridade e a força para definir e realizar o interesse nacional — não terá decerto passado despercebido que as mesmas dúvidas foram postas e sentidas as mesmas dificuldades, mas que um caminho foi aberto para a sua resolução.
Operamos com prudência e segurança, como é método nosso já conhecido, uma transformação profunda na essência e na orgânica do Estado; fazemos da vida económica elemento da organização política; pomos o trabalho, seja qual for a sua forma, entre os conceitos básicos da nova vida social e fazemos guerra a todos os parasitismos, a começar pelo da administração pública; pretendemos ordenar a economia nacional, salvaguardando a iniciativa privada; queremos o nacionalismo em
economia, mantendo a benéfica concorrência dos produtores nacionais entre si e destes com os de países estrangeiros; tendemos à organização de todos os interesses para sua defesa e valorização, mas queremos o Estado suficientemente digno e forte para não ser corrompido por eles, para lhes não permitir que abusem da sua força e para os coordenar em ordem à realização conveniente dos fins superiores dos indivíduos e da Nação.
Esta é a tarefa da geração presente; esta é também a sua glória.

(Fim)

O CORPORATIVISMO PORTUGUÊS (06)

(Prob1emas da organização corporativa» — Conferência no 5. P. N., em 13 de Janeiro — «Discursos», Vol. I, págs. 283-284, 288-289, 294-296 e 296-298) – 1934

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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