27 de maio de 2017   
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Ainda que geralmente os meios preventivos sejam mais caros, estamos diante de um problema cujo condicionamento nos leva a crer haver mais economia em prevenir o alastramento do mal do que em curar a doença. Assim será, independentemente do valor infinito da vida, pelo menos onde o homem tenha pelo progresso social elevado valor económico.
Como actuam na saúde dos homens a angústia dos tempos modernos, a insatisfação, o desequilíbrio psíquico, a desproporção entre a riqueza e as ambições, o desejo imoderado do luxo, a transformação da própria essência da vida que tão generalizadamente se crê disposta apenas para o gozo material, grosseiro dos sentidos? Até onde pode ser incriminado por tal estado de coisas o abuso do capitalismo, a surda ou aberta revolta do trabalho, o envenenamento das relações sociais, a desunião familiar, a atmosfera do ódio que vemos alastrar e substituir-se ao bom entendimento, à camaradagem, à alegria do trabalho, à modéstia dos desejos e ambições, à satisfação das pequenas, simples e saudáveis coisas a que toda a gente poderia aspirar e que quase todos poderiam facilmente obter?
Sinto que grande número de cabeças se curvam por esse mundo como diante de fatalidade inelutável, e se resignam a tentar resolver problemas que criamos por nossas mãos ou culposamente deixamos criar. Todavia julgo também que não é isso motivo suficiente para se não tentar ver se haverá outras possibilidades ou caminhos abertos à nossa acção — tanto mais que algumas reacções salvadoras, rasgadas, no campo social e político, se podem já apontar e com óptimos frutos.
É a esta luz e em domínio mais vasto que o habitual que conviria observar a obra realizada entre nós, o que se projecta ou se propõe, qualquer lentidão no avanço, alguma indecisão no passo, presos, como vedes, a verdadeiras crises de pensamento, que se não contenta com imitar modelos alheios mas desejaria contribuir também com a sua experiência.
Abrindo de par em par, para exame e estudo dos competentes, as portas da nossa casa e das nossas instituições ou serviços, agradecemos por igual o elogio ou a crítica, pois não está no nosso espírito pretender ensinar — apenas desejamos aprender.


Fundamentos da Ordem Social (10)

(«Na X Conferência Antituberculosa» — Discurso na inauguração da Conferência, em 5 de Setembro —- «Discursos», Vol. II, págs. 340 e 341-342) – 1937

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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