29 de maio de 2017   
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Os partidários de que se desse, antes de mais, o maior incremento à economia, com a modernização e instalação de fábricas, o largo aproveitamento da energia hidráulica e de outros recursos naturais, pressupunham certamente que a técnica, como as máquinas, se podem importar e os capitais obter de empréstimo no estrangeiro, se não os há no País. Mas o problema era visto talvez com excessiva simplicidade.
Eu sou pelo nacionalismo económico, mas este nacionalismo — tão moderado que para nós é condição e base da melhor cooperação internacional — nem quer dizer socialização, nem caminha no sentido autárcico (que sempre considerei contrário à verdadeira economia), nem se afirma exclusivista em não aceitar ou achar boa a colaboração, aqui e nas Colónias, do capital estrangeiro. Simplesmente penso que as diferentes produções fazem parte integrante da economia nacional com o fim de serem aproveitadas em harmonia com a sua maior utilidade para a vida da população, e que é pelo menos imprudente deixar em mãos estranhas algumas das posições mestras da economia de um país. Acresce que em muitos casos — e precisamente nos mais importantes — a participação capitalista não usa desinteressar-se dos fins e da direcção do empreendimento. Eu sei que se fala muito de internacionalismo económico e de solidariedade e de cooperação entre as nações, mas não posso esquecer que, se há elementos da riqueza ou da produção que não interessam a uma economia estrangeira senão pelos benefícios do seu rendimento, outros tendem a ocupar, ainda no presente momento, dentro dessa economia, o lugar deixado vago na economia nacional. Um país que preza a independência tem de acautelar-se de criar pontos vulneráveis tanto nas suas finanças como na sua economia.
As exigências da economia portuguesa, quer no respeitante ao seu reapetrechamento, quer relativamente a empreendimentos novos, são de tal magnitude que uns e outros não seriam viáveis sem a acumulação extraordinária de reservas, a reeducação do capital português e o aumento de rendimento do trabalho. As reservas foram-se acumulando em anos sucessivos, mas só podem mobilizar-se gradualmente. O capital, batido pelas inclemências dos mercados externos e seguro da honestidade da Administração, confiou-se numa primeira fase ao Tesouro para empreendimentos públicos, e começa agora a interessar-se pelas grandes empresas que o Governo apoia. Quando em terceira fase se abalançar com decisão à valorização económica da Metrópole e das Colónias, podemos estar satisfeitos dele e da sua função no mais vasto plano nacional. Quanto ao trabalho, cujo rendimento é diminuto em todas as categorias ou graus, terá de receber da escola a base e da vida o principal ensinamento: aprender-se-á a trabalhar trabalhando com chefes competentes.


O Problema Social - Política de Fomento (06)

(«Prefácio da 4.a edição» — «Discursos», Vol. 1, págs. XVI-XIX) – 1948

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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